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22 de maio de 2026

1 em cada 4 paulistanos diz que guardaria dinheiro gasto em bets, aponta pesquisa

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Especialista alerta para impacto das apostas online na capacidade de poupança e no orçamento doméstico das famílias

O avanço das apostas online no Brasil tem pressionado cada vez mais o orçamento das famílias e comprometido a capacidade de organização financeira da população. É o que aponta uma pesquisa recente da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), segundo a qual 26% dos paulistanos afirmam que guardariam o dinheiro gasto em plataformas de bets caso não apostassem. Em 2024, esse percentual era de 19%.

O levantamento também mostra que parte dos recursos atualmente destinados às apostas poderia ser direcionada a despesas essenciais: 14% dos entrevistados afirmam que utilizariam o valor para pagar contas domésticas e 13% para comprar alimentos. Outro dado que chama atenção é que 12% dos paulistanos já buscaram ajuda financeira para continuar apostando, incluindo empréstimos bancários e dinheiro de amigos ou familiares.

Para o professor de Ciências Contábeis da Unicid, Wagner Pagliato, os números revelam um cenário de comprometimento crescente da saúde financeira da população, especialmente entre famílias mais vulneráveis economicamente.

“As apostas deixam de ocupar apenas um espaço de entretenimento e passam a competir diretamente com despesas importantes do orçamento familiar. Quando uma pessoa afirma que guardaria esse dinheiro ou utilizaria para alimentação e contas básicas, isso mostra que as bets já estão impactando decisões financeiras essenciais”, afirma.

Segundo o especialista, a facilidade de acesso às plataformas, aliada à popularização do Pix e ao uso constante do celular, contribui para um comportamento impulsivo e reduz a percepção do gasto ao longo do mês.

“Como os valores geralmente são pequenos e as transações acontecem de forma instantânea, muitas pessoas não conseguem perceber o impacto acumulado dessas apostas no orçamento. É um dinheiro que sai de maneira fragmentada, quase invisível, mas que pode fazer falta no fim do mês ou impedir a formação de uma reserva financeira”, explica.

A pesquisa da FecomercioSP aponta ainda que 35% dos entrevistados afirmam apostar para aumentar rapidamente a renda doméstica — dez pontos percentuais acima do registrado em 2024. Entre famílias com renda de até dois salários mínimos, o índice chega a 40%.

Para Pagliato, o dado demonstra uma mudança preocupante na relação das pessoas com as apostas online, que passam a ser vistas como alternativa de renda em um contexto de endividamento e pressão econômica.

“Existe uma falsa percepção de ganho rápido associada às apostas. Muitas pessoas acabam enxergando as bets como uma oportunidade de melhorar a situação financeira, quando, na prática, o risco de perda é muito maior. Isso pode levar ao agravamento do endividamento e ao comprometimento da estabilidade financeira das famílias”, ressalta.

O professor também alerta para a importância da educação financeira e do planejamento do orçamento doméstico, principalmente diante da facilidade de acesso às plataformas digitais.

“É fundamental que as pessoas tenham clareza sobre seus gastos recorrentes e entendam o impacto que pequenas despesas contínuas podem causar ao longo do tempo. O planejamento financeiro começa justamente na percepção desses gastos que parecem pequenos individualmente, mas que, somados, comprometem a saúde financeira”, conclui.

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