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18 de novembro de 2025
13º salário e Black Friday: como evitar armadilhas e planejar um 2026 financeiramente mais leve
Especialista da Unicid orienta como usar o valor extra com estratégia e transformar o início do novo ano em um recomeço financeiro
Com a chegada da Black Friday e o pagamento do 13º salário, cresce a tentação de gastar mais do que o necessário, mas também a oportunidade de colocar as contas em ordem antes do novo ano. Pesquisas da Confederação Nacional do Comércio mostram que entre 40% e 50% dos trabalhadores usam o valor extra para quitar dívidas, cerca de 30% o destinam a compras e presentes e apenas 15% a 20% conseguem investir ou poupar.
Segundo o professor Wagner Pagliato, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) e do Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF), a forma como o 13º é utilizada pode determinar o equilíbrio financeiro dos meses seguintes. “O 13º pode ser um divisor de águas. Com um pouco de planejamento, o valor extra se transforma em tranquilidade e abre espaço para começar 2026 sem sobressaltos”, afirma.
Para o professor, o maior erro é gastar o 13º sem definir prioridades. “Sem um plano claro, o dinheiro se dissolve em pequenos gastos, compras por impulso e novas dívidas. É preciso decidir antes o que será feito, para não ser guiado pela emoção”, orienta. Ele explica que datas comerciais, como a Black Friday e o Natal ativam gatilhos de consumo baseados em escassez e recompensa imediata. “Mensagens de ‘última chance’ e ‘estoque limitado’ fazem o cérebro acreditar que está economizando, quando na verdade está apenas trocando uma necessidade por outra”, alerta.
Uma estratégia prática, segundo o especialista, é aplicar a regra do 50-30-20: 50% do valor para quitar dívidas, 30% para metas pessoais e consumo planejado e 20% para poupança ou investimentos. “Quem está endividado deve começar pelas pendências mais caras, como cartão de crédito ou cheque especial. Já quem tem as contas em dia pode inverter a lógica e priorizar o investimento. O importante é não gastar tudo”, explica Pagliato.
A antecipação de dívidas também pode ser vantajosa em alguns casos. “Quando o desconto pela quitação antecipada é maior que o rendimento de uma aplicação, vale a pena. No caso de dívidas com juros altos, como cartão e cheque especial, é quase sempre a melhor decisão”, acrescenta.
Para quem deseja investir parte do 13º, o docente recomenda aplicações simples e seguras, especialmente para o curto prazo. “Para até 12 meses, o ideal é priorizar liquidez e segurança, como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária e fundos DI. Já para horizontes de um a três anos, CDBs prefixados e fundos multimercados conservadores podem trazer retornos mais consistentes”, sugere.
Além disso, Pagliato reforça que o planejamento financeiro deve ser incorporado à rotina, e não restrito a um momento do ano. “Planejamento é hábito, não evento. Anotar receitas e despesas, revisar o orçamento mensalmente e automatizar investimentos são atitudes simples que fazem diferença. Quando o controle se torna parte do dia a dia, o dinheiro passa a trabalhar a seu favor”, analisa.
E, na hora das compras, o especialista recomenda cautela. “Antes de confirmar qualquer compra, pesquise o histórico de preços, espere 24 horas e defina um limite de gasto. O verdadeiro desconto é não comprar o que não se precisa. A pressa é o maior inimigo do bolso nessa época”, alerta. Para ele, o segredo está em transformar pequenas decisões em resultados de longo prazo. “Guardar um valor modesto por mês pode parecer pouco, mas com disciplina e juros compostos, se transforma em patrimônio. O 13º salário é uma chance concreta de começar — e não apenas de consumir”, conclui.