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14 de abril de 2022
O mês de abril é estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Mês da Conscientização Mundial sobre o Autismo. Atualmente, apesar de várias leis garantirem direitos às pessoas com necessidades especiais, sabemos o quão isso ainda é visto de forma diferente por boa parte da população. Vivemos em uma sociedade em que ainda se prioriza muitos valores estéticos e morais, e para algumas pessoas com deficiência isso acaba sendo uma barreira para a inclusão de fato.
Quando falamos de alguma necessidade especial, é importante lembrar que o termo “portador” não é correto usar, mesmo que vejamos esse termo em leis, artigos e livros. Devemos pensar que “quem porta, porta alguma coisa e depois pode deixar de portar”. Não é o caso de uma pessoa autista ou alguém com síndrome de Down, por exemplo. Outra questão importante a ser pensada é sobre as escolas especiais. A partir do movimento pela inclusão, para que todos os alunos com necessidades especiais pudessem frequentar a rede regular de ensino, muitos alunos concluem seus estudos sem terem sido nem alfabetizados. E quando completam 18 anos, a obrigatoriedade de estarem no ensino regular se extingue. E daí, para onde vão?
Falta pensar numa política pública de atendimento contínuo, valorizar o trabalho realizado nas escolas especiais e pensar que o aluno com necessidades especiais não tem o “mesmo tempo de aprendizagem” que outras crianças. Mas daí alguém poderá dizer: “você está negando à criança o direito de estar na escola regular”. Mas será que realmente todos os alunos especiais se beneficiam da escola regular?
Não há programas voltados para atender a essa clientela, que saiu do ensino regular por já ter completado seus estudos mas que continuarão a ser dependentes de seus familiares e vão necessitar de atendimento para sempre. Sabemos que a lei não obriga os pais a colocarem seus filhos no ensino regular, mas também sabemos que a gama de informações que recebem, dos mais diversos profissionais, muitas vezes não os conduzem para a escola especial. Pensar em Centros de Atendimentos para esses alunos, que possam atender às suas necessidades, é um importante passo nessa caminhada.
A Academia tem feito sua parte. Muitas instituições de ensino superior participam do processo de cuidado à pessoa autista. O Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG) oferece o Programa FSG sem Barreiras, que atende alunos com necessidades especiais da região (deficiência intelectual, autismo, esquizofrenia e síndrome de Down). O trabalho é realizado todos os sábados, pela manhã, nas dependências da instituição, onde os discentes dos cursos de Licenciatura atuam diretamente com os alunos, com a participação de estagiários dos cursos de Psicologia e da Educação Física.