CRUZEIRO DO SUL VIRTUAL
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20 de agosto de 2025
Agosto Verde: como mediar o tempo de tela das crianças e selecionar conteúdos educativos?
No mês da primeira infância, especialista comenta como pais e educadores podem influenciar de forma positiva o tempo de tela dos pequenos
O ‘Agosto Verde’, mês dedicado à celebração da primeira infância, é um convite para refletir sobre diversos aspectos dessa etapa tão importante. Além de reforçar a importância do cuidado infantil, o período traz à tona um dilema atual para pais e educadores: como gerenciar o tempo de tela de crianças e adolescentes em um mundo cada vez mais digitalizado? Ademir Junior, doutorando em Educação, mestre em Psicologia Educacional, professor na área de Pedagogia e coordenador dos cursos em Filosofia, Geografia, História e Teologia da Cruzeiro do Sul Virtual, dá dicas para mediar essa relação.
Segundo o professor, o grande desafio pedagógico está na coerência entre discurso e prática: “Se os adultos estão sempre conectados, usando o celular durante as refeições ou como válvula de escape, passam a mensagem de que o uso irrestrito é normal. Por isso, é essencial que exista coerência e cuidado, não adianta impor limites às crianças se nós mesmos não conseguimos praticá-los”, alerta Ademir. Ele ressalta que, ao reservar momentos offline e priorizar interações presenciais, os adultos ensinam pelo exemplo o valor da moderação e do equilíbrio digital. Além disso, a atualização constante dos pais e educadores sobre os impactos cognitivos, sociais e emocionais da tecnologia é fundamental, pois muitos ainda subestimam os riscos do uso excessivo, que pode causar problemas de atenção, sono e saúde emocional.
Para transformar o tempo de tela em uma ferramenta de aprendizado, a seleção de conteúdo é crucial. O especialista enfatiza que cada escolha digital tem impacto no desenvolvimento cognitivo, físico e socioemocional da criança: “O segredo está em buscar recursos que dialoguem com a infância de maneira saudável, não substituindo, mas sim complementando o brincar, a convivência e a curiosidade natural”, explica.
O especialista sugere que pais e educadores priorizem conteúdos que:
- Inspirem atividades fora da tela: como montar cenários, desenhar ou dramatizar histórias.
- Incentivem movimento: valorizando recursos que estimulem dança e exploração ao ar livre.
- Deixem espaço para a imaginação: escolhendo narrativas que permitam o faz-de-conta.
“Quando o que se vê na tela desperta o desejo de criar, brincar ou experimentar no mundo real, estamos diante de um uso verdadeiramente educativo da tecnologia”, pontua o professor. Ele ainda aconselha que, após o uso da tela, seja proposta uma atividade concreta relacionada ao conteúdo assistido, como desenhar o que aprendeu ou criar um jogo inspirado no vídeo.
O poder da interação e do diálogo
Para o docente, além da mediação do tempo e da seleção de conteúdo, a interação e o diálogo são pilares para uma relação saudável com a tecnologia: “A pedagogia não propõe que se elimine as ferramentas digitais, mas que humanize seu uso. Isso só acontece quando há presença, escuta e afeto”, afirma.
Para transformar o tempo de tela em aprendizado significativo, o professor sugere aplicar mecanismos didáticos simples:
- Propor perguntas abertas após o uso: ”O que você achou mais interessante?”, “Isso te fez lembrar de algo que já viveu?”, “Você concorda com o que foi mostrado?”.
- Incentivar a recriação do que foi visto: seja revendo, dramatizando ou brincando com o conteúdo.
Dessa forma, o conteúdo digital ganha vida no campo experiencial: “Um vídeo pode se transformar em uma conversa sobre valores, em uma pesquisa ou em uma atividade artística. A tela deixa de ser o fim e passa a ser o começo de novas descobertas”, conclui Ademir. Ele reitera que a presença de adultos como mediadores conscientes, orientando e dialogando, é uma intervenção eficaz durante todo o processo de formação da criança, garantindo que o uso digital seja mediado por presença, escuta, afeto e diálogo.