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1 de junho de 2023
Entenda os desafios e como acolher alunos idosos na pós-modernidade
Hebe de Camargo Bernardo, docente do curso de Psicologia do Módulo, explica um dos problemas que pessoas mais velhas sofrem no mundo moderno.
Quando se trata de discriminação, tem-se aumentado as discussões sobre os problemas que os idosos sofrem no mundo todo. No Brasil, especificamente no âmbito universitário, o ingresso de alunos mais velhos tem sido visto cada vez mais – ao passo que há notícias da discriminação conhecida como etarismo por conta da faixa etária desse público.
Segundo dados do Censo de Educação Superior de 2019, o mais recente disponibilizado pelo Ministério da Educação, 27 mil idosos fazem cursos universitários no Brasil. De 2015 a 2019, o total de idosos em universidades cresceu 48%.
A psicóloga Hebe de Camargo Bernardo, professora doutora do curso de Psicologia da Módulo, explica que o fenômeno se deve ao fato de muitas pessoas idosas buscarem mais qualidade de vida e novas oportunidades, ao se lançarem nos bancos acadêmicos.
“As faixas etárias não representam a importância da idade mental, portanto, os estereótipos estão diretamente ligados a faixas etárias muitas vezes não representativas do mundo interno do sujeito”, afirma. “A troca de saberes pode ser explorada e enriquecida nos encontros intergeracionais vividos nos espaços escolares e, nesses encontros, quando existe o estímulo flexibilidade de parte a parte, todos saem ganhando”, detalha a docente.
Para refletir sobre o ingresso a pessoas idosas nesses espaços, Hebe sugere algumas formas de como deve ser o melhor acolhimento a essa “nova juventude”.
O que os jovens devem fazer para o acolhimento neste espaço assumir um importante valor:
- Canalizar sua energia e potencial para prover aos mais velhos as necessidades referentes às informações e tecnologias no sentido de aprender a desenvolver o senso de cidadania e serem úteis na integração social;
- Dissipar os preconceitos e estereótipos de ambas as partes;
- Refletir sobre a ação e se comprometer com o dever ao próximo.
A docente esclarece que, em caso de um colega sofrer preconceito, é importante lembrarmos que existe um Tratado Internacional de Direitos Humanos e que todos têm o direito de convivência em espaço educacional. “A educação e o conhecimento não têm idade. A Constituição Federal permite o direito de estudar a todos independentemente da idade. Devemos reagir contra esse tipo de comportamento informando pelas leis existentes e o direito do cidadão”, completa.
Leis que protegem o idoso contra etarismo e velhofobia:
- Estatuto de Idoso: prevê de seis meses a um ano de reclusão e multa em caso de discriminar sobre pessoa idosa;
- Delegacias do idoso em algumas cidades que podem ser procuradas;
- Tratado Internacional dos Direitos Humanos.
Para as Instituições, Hebe sugere trabalhar o tema com disciplinas que contemplem essa faixa etária, programas de prevenção e atividades em que possam ter uma ampla visibilidade dentro do espaço educativo e no espaço público também, por esse ser um problema político-social. Por fim, a docente salienta o estímulo do convívio entre diferentes idades que pode renovar as energias dos mais velhos e promover maior ganhos de amadurecimento emocional nos mais jovens. “No ambiente escolar, a única coisa que separam jovens e “velhos” é o registro do RG, porém o tempo vivido é o presente, e esse tempo é o mesmo vivido neste momento por todos nós”, pontua.