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| 30 de junho de 2020

Biomédicas explicam exames realizados para diagnosticar a Covid-19

Desde que a pandemia do Coronavírus (Covid-19) teve início, existem muitas dúvidas em relação aos testes que são realizados para diagnosticar a doença. As características clínicas desse novo vírus são similares às causadas por vírus respiratórios já existentes, como a influenza, parainfluenza, rinovírus, vírus sincicial respiratório e o adenovírus.

Diante desse cenário de questionamentos, as professoras Dra. Fernanda Teixeira Borges, coordenadora do curso de Biomedicina da Universidade Cruzeiro do Sul e Me. Thais de Souza Lima, docente do curdo de Biomedicina da Instituição, esclarecem que nos casos suspeitos de Covid-19, o diagnóstico para confirmar a doença é realizado a partir de exames clínicos e laboratoriais.

“Febre, tosse, coriza e uma sensação de cansaço, são os sintomas clínicos. Já os laboratoriais são realizados pela pesquisa de material genético do vírus (RNA) ou a detecção de anticorpos em material biológico. Com isso, é possível diagnosticarmos a doença”, explica Fernanda.

Os testes moleculares devem ser realizados até o sétimo dia da infecção e os testes sorológicos, após pelo menos dez dias, em tempo de o organismo produzir os primeiros anticorpos. Fernanda afirma que não são necessários nenhum tipo de preparo para realização dos testes, e a escolha do teste adequado está relacionada com o tempo de manifestação dos sintomas.

A professora Thais pontua que os testes que detectam material genético têm alta sensibilidade e especificidade, ou seja, têm maior precisão e podem detectar o coronavírus mesmo na presença de poucos vírus. A eficácia do exame pode variar dependendo do fabricante, porém a sensibilidade geralmente é superior a 85% e a especificidade, superior a 94%.

Para esclarecer os testes, a profissional explica os detalhes técnicos, sobre o exame da detecção de material genético do vírus (RT-PCR), coletado com haste flexível, ela explica que ele consiste em três etapas:

“O primeiro passo é a transformação do material genético do vírus RNA em DNA. Em um equipamento, o número de moléculas de DNA é multiplicado, depois se adiciona uma marcação fluorescente que reconhece o material genético do vírus. A detecção desse sinal fluorescente indica a presença de partículas virais de coronavírus na amostra do paciente, ou seja, teste positivo. Esse procedimento é extremamente eficaz”, justifica.

Sobre os exames sorológicos para Covid-19, Thais explica que eles são responsáveis por detectar anticorpos produzidos pelo sistema de defesa em resposta ao vírus. Para isso, o sangue é obtido pela punção na polpa do dedo ou pela coleta de sangue venoso, exatamente como nos exames convencionais.

“Esses exames conseguem esclarecer se naquele momento o paciente está doente, presença de anticorpo IgM ou se já teve contato ou a infecção pelo novo coronavírus, presença de anticorpo IgG. No teste rápido, proteínas virais estão aderidas a uma membrana que ao entrarem em contato com o sangue do paciente, conseguem reter os anticorpos (IgM ou IgG) contra o coronavírus. Já nos testes sorológicos por quimioluminescência, ocorrerá a ligação entre os antígenos virais e os anticorpos presentes na amostra do paciente (IgM ou IgG). Essa ligação é marcada por uma substância que emite luz (luminescente), e a emissão de luz é captada por um equipamento, indicando que a amostra é positiva”, explica.

Sobre os testes laboratoriais e procedimentos, a professora Thais aponta que as principais dúvidas atuais, dizem respeito à qualidade e duração dos anticorpos protetores, identificados nos testes sorológicos.

Por fim, ambas as especialistas ressaltam que os exames acima referidos, são recomendados quando há a presença dos sintomas clínicos ou quando houve contato próximo ou domiciliar com um caso confirmado nos últimos sete dias. Elas orientam que, em grupos de serviços essenciais: saúde, segurança pública, limpeza urbana e suprimentos, é necessária a testagem periodicamente de todas as pessoas envolvidas.

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