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22 de agosto de 2022

Brasil vive pandemia da obesidade e aumento de doenças crônicas não transmissíveis

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Tatiana Santiago, professora de Nutrição da Braz Cubas, explica os motivos desse cenário de crescimento da obesidade no país e os impactos na saúde da população

Dados divulgados neste ano pela Federação Mundial da Obesidade (2022) apontam uma projeção de 1 bilhão de pessoas com obesidade no mundo até 2030. No Brasil, a estimativa é de que 29,7% da população viva com obesidade, acometendo uma (1) a cada cinco (5) mulheres e um (1) a cada sete (7) homens.

No paralelo a essa perspectiva, ainda segundo dados do Ministério da Saúde de 2020, 63% da população está com excesso de peso no Brasil. Essa crescente de casos está refletindo e levando a uma possível pandemia de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).

Tatiana Santiago, professora doutora do curso de Nutrição do Centro Universitário Braz Cubas, relata que os motivos desse cenário de pandemia da obesidade são multifatoriais. “Cada caso é um caso, mas os fatores que podem estar levando a esta causa são hábitos alimentares inadequados, sono inadequado, estresse, alterações hormonais, microbiota intestinal em desequilíbrio, programação metabólica (gestacional), falta de atividade física, fatores genéticos modificados, acesso ao alimento e problemas psicológicos”.

A especialista reforça que pela obesidade ser considerada uma doença multifatorial, crônica e inflamatória, caso não seja controlada adequadamente com tratamento profissional há a probabilidade de se desenvolver algumas DCNT, como síndrome metabólica, diabetes e doenças cardiovasculares.

“Se não tratadas, a obesidade e as doenças crônicas não transmissíveis podem resultar em maior risco de consequências, como insuficiência renal, cegueira em casos de diabetes não compensado, infarto e acidente vascular encefálico (AVE), possibilitando uma redução de autonomia pelo indivíduo”, explica a nutricionista. A boa notícia é que estudos apontam uma redução de até 22% no desenvolvimento de DCNT, caso o indivíduo consiga perder 10% do peso, e esses benefícios na saúde começam a partir da perda de 3% do peso, ou seja, não é necessário atingir o peso ideal para usufruir dos benefícios.

O diagnóstico de obesidade é feito através do Índice de Massa Corporal (IMC), mas ele não é o suficiente para saber sobre a composição física e o estado de saúde do indivíduo. “É necessário saber qual o percentual de tecido adiposo e onde ele se localiza. Após concluir o diagnóstico, a equipe de profissionais irá indicar o melhor tratamento. Este deve ser contínuo, mesmo em momento de perda de peso adequado ou estabilidade das DCNT, o paciente não deve abandonar a equipe. O paciente exerce papel principal no tratamento, com a mudança do estilo de vida”.

“As pessoas devem buscar endocrinologista, cardiologista, psicólogo, educador físico e nutricionista, pelo menos uma vez ao ano para saber como a saúde está; dentre esses profissionais, o nutricionista é o responsável para adequar a alimentação ao estilo de vida, e corrigir deficiências nutricionais para manter-se saudável”, salienta a especialista.

Tatiana diz que o melhor tratamento, porém, é a prevenção por parte dos pacientes. “Em primeiro lugar, devem reduzir o estresse, com horários definidos para trabalhar e para lazer, dormir bem, praticar atividade física e ter uma boa escolha alimentar, com alimentos saudáveis, de preferência feitos em casa e com mais consumo de frutas e hortaliças”, indica.

Por fim, a professora de Nutrição da Braz Cubas lembra que em alguns casos a obesidade e as doenças crônicas podem estar presentes na genética familiar. Mas, o que mais contribui para o desenvolvimento delas são as atitudes e o estilo de vida. “E isso é um fator modificável”, pontua Tatiana.

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