CRUZEIRO DO SUL

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30 de outubro de 2023

Como os projetos sociais podem ajudar no desenvolvimento das crianças?

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Quando se trata de ações humanitárias, seja pelo fato de praticar o bem ou receber ajuda, todos saem ganhando, isso porque se trata de fazer o bem ao próximo. Porém, engajar o público infantil desde cedo nas causas sociais, garante uma sociedade mais colaborativa, segundo especialistas.

De acordo com os professores do curso de pós-graduação em Educação Infantil da Universidade Cruzeiro do Sul, Martin L. K. de Oliveira Sousa e Luciene Ap. Felipe Siccherino, a importância da inserção das crianças em ações e projetos sociais desde os primeiros anos da vida, tem impacto para o desenvolvimento infantil no que se refere aos aspectos sociais, afetivos e cognitivos. “As interações promovidas pelas experiências sociais, permitem a aprendizagem de habilidades, conteúdos, bem como a formação de valores éticos necessários ao desenvolvimento moral do ser humano”, afirmam Sousa e Siccherino.

Crianças que ajudam o próximo desde cedo, podem se tornar seres humanos melhores na vida adulta, isso porque a educação, como área de formação para a cidadania, defende um trabalho contínuo e sistemático ao longo de toda a Educação Básica e Superior, objetivando aprendizagens e vivências que serão constituintes para um ser humano capaz de perceber a agir diante do próximo.

“O direito das crianças sobre a participação nos projetos é relativamente recente, começou a partir da promulgação da Convenção dos Direitos das Crianças em 1989. Com isso, os pequenos como protagonistas, tem a chance de serem ouvidos e atendidos dentro do tempo e espaço, bem como as propostas pedagógicas que levem em conta suas singularidades, possibilitando a elas a participação, sob mediação dos adultos, de modo que sejam protegidos e atendidos dentro da relação pedagógica”, afirma a Dra. Luciene Ap. Felipe Siccherino, coordenadora do curso de pós-graduação em educação infantil da Universidade Cruzeiro do Sul e professora da graduação em pedagogia, da mesma instituição.

Engajar as crianças na democracia efetiva, concilia com a ideia de que desde cedo o público infantil pode exercitar os direitos alusivos a elas, bem como o exercício de relações de poder previamente estabelecidas.

“Os primeiros anos representam para as crianças momentos de intensas e rápidas aprendizagens, de modo que possam ser levadas pelos adultos mais experientes, a interagirem com seus pares e com os próprios adultos a compreenderem o mundo e a integrá-lo. Ao longo de todo o processo educacional, desenvolverão habilidades cognitivas, afetivas e sociais, para tornarem-se seres humanos mais conscientes com seus semelhantes, uma vez que essas habilidades não são inerentes à condição humana, elas são aprendidas por meio de boas e profundas experiências”, ressalta Sousa.

Programa de ajuda humanitária

Um grande exemplo desse tipo de ação, é o Garrafas ao Mar. Lançado em 2021, é o primeiro Programa Educacional da organização humanitária Fraternidade Sem Fronteiras – FSF. O objetivo é preparar estudantes como agentes de mudanças no mundo a partir dos sentimentos de empatia e fraternidade no ambiente escolar. Todo o recurso é enviado para a construção de escolas nos projetos da FSF, para crianças que não possuem acesso à educação.

“As escolas podem participar em duas modalidades, a primeira de espalhar garrafas, por pontos estratégicos dentro das escolas, e incentivar os estudantes a fazerem doações em dinheiro, conforme a vontade e possibilidade. A outra modalidade é o recolhimento e a reciclagem de tampinhas de garrafas descartáveis, e o valor arrecadado é repassado para a FSF”, comenta Ana Lúcia Caetano, pedagoga e idealizadora do Programa Garrafas ao Mar.

Nas duas modalidades, os valores arrecadados serão revertidos para a construção de escolas, aquisição de materiais escolares e suporte pedagógico nas atividades educacionais desenvolvidas nos projetos da FSF.

“No Garrafas ao Mar, mostramos crianças como crianças, para que elas possam se identificar. Informamos que a ação é voltada para ajudar crianças que estão em regiões onde não há escolas. Explicamos que se juntarmos tampinhas e moedinhas, conseguiremos fazer um parquinho, construir janelas, comprar cadernos e muito mais. então a gente vai falando com eles, aquilo que eles podem alcançar e engajar-se, formando um pensamento novo nessa criança que se tornará um adolescente e um jovem adulto”, pontua Caetano.

O programa já ajudou cerca de 2.580 alunos de 5 escolas, sendo 3 de Santos – SP, 1 de Indaiatuba – SP e 1 de Campina Grande – PB. A ação é 100% gratuita e pode participar escolas do Brasil e do exterior. Para fazer parte, um representante da escola deve realizar a inscrição através do site: https://garrafasaomar.fraternidadesemfronteiras.org.br.  

“Como todo projeto pedagógico nasce do anseio pela formação de um cidadão crítico, participativo, reflexivo e atuante para uma sociedade mais justa e inclusiva, inserir os pequenos desde cedo em ações sociais, é parte integrante dos objetivos e metas a diminuição da violência nas escolas e, depois, fora delas. Com isso, o desempenho escolar não se desvincula das propostas de trabalho, já que a interdisciplinaridade e a transversalidade das ações são fios condutores dos trabalhos. O que é aprendido na escola influencia a forma de percepção do mundo e como atuarão sobre ele, fazendo um exercício de cidadania local e até planetária”, finaliza Luciene Ap. Felipe Siccherino.

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