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1 de junho de 2026
Da camisa personalizada ao delivery temático: Copa do Mundo impulsiona renda de pequenos empreendedores, mas exige planejamento financeiro
Especialista explica como a economia sazonal criada pelos grandes eventos esportivos abre oportunidades para micro e pequenos negócios
A proximidade da Copa do Mundo costuma movimentar muito mais do que a paixão dos torcedores. A cada edição do torneio, uma economia paralela ganha força em diversos setores, criando oportunidades para micro e pequenos empreendedores ampliarem a renda por meio da oferta de produtos e serviços temáticos.
De camisetas personalizadas e decoração inspirada nas cores da seleção até combos especiais de delivery, kits para churrasco e eventos de transmissão dos jogos, a chamada economia sazonal da Copa beneficia principalmente negócios ligados à alimentação, vestuário, entretenimento e comércio digital. A expectativa é que o aumento da circulação de pessoas, das confraternizações e do consumo relacionado ao torneio impulsione a demanda por produtos personalizados e experiências voltadas ao público torcedor.
Segundo Wagner Pagliato, coordenador do curso de Administração da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), grandes eventos esportivos costumam provocar mudanças temporárias nos hábitos de consumo e criar nichos de mercado capazes de gerar renda extra para empreendedores de diferentes portes. “A Copa do Mundo cria um ambiente favorável para o surgimento de oportunidades de negócio. Muitos consumidores passam a investir em encontros com familiares e amigos para assistir aos jogos, o que aquece setores como alimentação, bebidas, entretenimento, brindes personalizados e comércio eletrônico. Para pequenos empreendedores, é uma oportunidade interessante de ampliar receitas e conquistar novos clientes”, afirma.
Entre os segmentos que tradicionalmente registram crescimento durante o período estão bares, restaurantes, serviços de delivery, vendedores ambulantes, lojas de artigos personalizados, empresas de decoração e profissionais autônomos que atuam na organização de eventos e confraternizações. Nas redes sociais, o movimento também se intensifica, com a divulgação de produtos temáticos, promoções especiais e campanhas direcionadas aos dias de jogos.
Apesar do potencial de faturamento, o especialista alerta que o entusiasmo não pode substituir o planejamento financeiro. Como se trata de um evento de duração limitada, decisões equivocadas relacionadas à compra de estoque ou investimentos podem comprometer os resultados obtidos.
“Muitos empreendedores enxergam a Copa como uma oportunidade de crescimento rápido, mas é importante lembrar que estamos falando de uma demanda temporária. Antes de investir, é fundamental analisar o mercado, projetar cenários realistas de vendas e calcular adequadamente custos, margem de lucro e capital de giro. O aumento das receitas só gera benefícios quando existe controle financeiro”, explica Pagliato.
Outro aspecto que merece atenção é a formalização dos negócios. Durante grandes eventos, é comum que trabalhadores iniciem atividades temporárias para complementar a renda. Nesses casos, a regularização como microempreendedor individual (MEI) pode trazer vantagens importantes, como emissão de notas fiscais, acesso a crédito e maior organização tributária. “A formalização contribui para que o empreendedor tenha mais segurança jurídica e financeira. Além disso, facilita o acesso a serviços bancários, linhas de financiamento e ferramentas de gestão que podem ajudar o negócio a continuar crescendo mesmo após o encerramento do evento”, destaca.
O professor também alerta para os cuidados relacionados ao uso de marcas e símbolos oficiais associados à Copa do Mundo. A utilização indevida de logotipos, nomes protegidos ou elementos licenciados pode gerar sanções e problemas jurídicos para comerciantes e produtores de itens personalizados.
Para o especialista, o principal legado econômico da Copa para os pequenos negócios está na possibilidade de transformar uma oportunidade sazonal em uma fonte permanente de renda. “Mais do que vender durante os jogos, o empreendedor deve aproveitar o período para conquistar clientes, fortalecer sua presença digital e testar novos produtos. Muitas empresas surgiram a partir de oportunidades criadas por grandes eventos e conseguiram se consolidar depois. A Copa pode ser um ponto de partida para quem deseja estruturar um negócio de forma sustentável”, conclui.
Nesse contexto, iniciativas de educação financeira e orientação empreendedora ganham ainda mais relevância. O Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF) da Unicid desenvolve ações voltadas à educação fiscal, apoio ao MEI e orientação financeira, auxiliando pequenos empreendedores a organizar suas finanças e aproveitar oportunidades de mercado com mais segurança e planejamento.