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Notícias
28 de setembro de 2020
Professores do curso de Serviço Social do CEUNSP apontam a importância de debater e combater esse problema multidimensional
Não diferente, infelizmente, de outros anos, 2020, tem sido marcado por um problema social que tem repercutido com frequência no Brasil e em outros países: o preconceito. Situação agravada pela pandemia (Covd-19).
Notícias, vídeos, fotos e relatos mostram a importância de debater essa pauta com o intuito de combater e suprimir ações preconceituosas no cotidiano. Em pesquisa realizada pelo Instituto DataFolha, no Brasil, apresenta que “Três em cada dez (30%) declararam que já sofreram preconceito devido a sua classe social (era 23% em 2008), 28% já sofreram preconceito devido ao local de moradia (era 21%), 26% devido à sua religião (era 20%), 24% devido ao seu gênero (era 11%), 22% por sua cor ou raça (era 11% em 2007) e 9% por sua orientação sexual (era 4% em 2008)”[1], ou seja, o preconceito é algo vivenciado diariamente e diretamente pelos/as brasileiros/as.
Segundo o docente de Serviço Social do Centro Universitário N. Senhora do Patrocínio (CEUNSP), instituição que integra a Cruzeiro do Sul Educacional, Prof.º Dr. José Aparecido Batista Júnior, “O preconceito é uma expressão que merece atenção em detrimento de atingir múltiplos aspectos, sendo eles na formação social, cultural, educacional, psicológico, legal, econômico, entre outros de um indivíduo e grupo social”, relata.
O docente explica ainda, que a questão central sobre o preconceito, seja ele por qualquer incidência é a falta de conhecimento e a indisponibilidade para aproximação com pessoas diferentes e não desiguais, pois no fundo, a espécie se resume em uma só, humana.
Para a professora Rita de Cássia Diogo, que também leciona no curso de Serviço Social do CEUNSP o preconceito e a pessoa preconceituosa, existem e são fortalecidos, pela forma com que a sociedade atual se relaciona, em uma disputa constante e de vários aspectos, impulsionada pela sociedade capitalista, por exemplo. “Essas atitudes excludentes e conflituosas refletem diretamente nas relações sociais e supervalorizam as características pessoais, características estas que corroboram com a formação da identidade humana, porém como são postas transformam-nas em algo negativo. Ponto crucial para a promoção de espaços para as vozes silenciadas serem ouvidas”, avalia.
Para os especialistas, a conscientização só há com a disponibilidade em absorver novas informações, ainda que sejam contrárias a sua ideologia; deste modo a principal arma para o combate as atitudes preconceituosas, independente do seu aspecto, seria a informação e criar espaços democráticos por meio da construção de um ambiente amplo com debate crítico e provocativo, por meio de bases teóricas, que ultrapassem o “achismo”.
“Portanto, a conscientização é um processo particular, no qual a pessoa por meio do acesso efetivo, eficiente e eficaz às políticas públicas pode internalizar que as relações são estabelecidas no cotidiano, espaço contraditório e de tensões. Precisamos aprender a conviver e, para isso, o senso crítico e nossos níveis de tolerância e respeito precisam ser permanentes, sejam em nossa vida individual e civil ou também na atuação profissional, isso em qualquer área”, argumenta Rita.
Por
fim, o professor José Aparecido avalia a importância da formação em Serviço
Social diante dessa temática. “Por meio de bases teóricas e com espaços para debates
técnicos e humanizados, podemos auxiliar na minimização desse problema e até mesmo
em sua extinção. Uma das responsabilidades das Instituições de Ensino Superior
é formar alunos/as capazes de estarem neste contexto de forma crítica e provocativa,
com apoio efetivo da sociedade com ações inclusivas, afirmativas; com tolerância
e respeito, podemos caminhar na luta coletiva pelo fim do preconceito. O objetivo
central da intervenção da/o assistente social é diminuir a desigualdade social,
sobretudo por meio de acesso à informação, garantia de direitos legalmente
instituídos e trabalho em rede (interdisciplinar), sobretudo para atuar com
planejamento e gerenciamento dos resultados da sociedade capitalista. Sem
dúvida, um primeiro caminho é reconhecer que os preconceitos existem e que é
preciso discutir esse problema”, esclarece.
[1] Disponível em: http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2019/01/1986041-preconceito-por-genero-e-cor-dobra-em-uma-decada.shtml. Acesso em 23 set. 2020.