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10 de abril de 2024
Dipirona ajuda a curar dor de término de relacionamento: verdade ou mito?
Quem fala sobre é a Doutora em Ciências da Saúde e professora do curso de Farmácia da Universidade Positivo - Londrina, Andressa Keiko Matsumoto.
Uma tendência preocupante tem sido destaque no TikTok, onde jovens e adolescentes estão compartilhando vídeos em que relatam o uso da dipirona – medicamento utilizado para aliviar a febre e dores em geral – como uma forma de curar a dor emocional causada pelo término de um relacionamento.
A dipirona é um dos remédios mais consumidos no Brasil – em 2022, mais de 200 milhões de doses do medicamento foram vendidas no país, segundo levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por não necessitar de receita para adquirir o produto, o uso irracional torna-se preocupante, pois o fácil acesso e a falta de orientação levam a utilização do medicamento de forma inadequada e exagerada. “A dipirona tem um potencial efeito negativo sobre a medula óssea, que pode resultar em condições como a agranulocitose, o que fez com que a comercialização do remédio seja proibida em diversos países”, explica a Doutora em Ciências da Saúde e professora do curso de Farmácia da Universidade Positivo – Londrina, Andressa Keiko Matsumoto.
Além dos riscos à saúde, o excesso do consumo da dipirona pode fazer com que ela perca seu efeito sobre o organismo quando ela for realmente necessária. Andressa revela que o uso indiscriminado do medicamento pode resultar na redução da formação de prostaglandinas, que são mediadores importantes no processo inflamatório e na resposta do sistema imunológico contra dores e febre. “Essa inibição das prostaglandinas faz com que o medicamento se torne inútil no tratamento de condições inflamatórias, perdendo o efeito no combate às dores e febre”, completa.
Fisiologicamente falando, a dipirona não tem ação na dor emocional. Andressa aponta que, ao tomar o medicamento, a sensação de alívio dessa dor pode advir do efeito placebo, ressaltando que “isso acontece devido às expectativas positivas do paciente em relação ao tratamento, bem como a crenças na eficácia do mesmo.” A dor de um coração partido é muito mais complexa do que uma dor física, e a solução deve vir da compreensão das implicações de uma relação afetiva e conjugal. “Não basta tomar um comprimido, mas sim buscar autoconhecimento e saber colocar pontos finais, deixar a fila andar”, afirma a professora do curso de Psicologia da Universidade Positivo, Janete Knapik.
Aliado ao processo de autoconhecimento como estratégia para clarear as expectativas de uma relação a dois, a psicóloga recomenda outros métodos para ajudar a superar o fim de um relacionamento, como não se isolar da família e amigos, evitar vasculhar as redes sociais da pessoa e manter uma vida social ativa, saindo de casa e fazendo coisas diferentes e estimulantes.