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| 25 de setembro de 2020

Engenheira aponta possíveis adaptações nas residências do pós-pandemia

Sabrina Moreno, professora do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Módulo, aponta que medidas sanitárias poderão ser assunto nos próximos projetos residenciais e urbanos

Diante da pandemia do novo coronavírus e da necessidade de ficar em casa, a arquitetura residencial ganhou mais atenção. Nesse contexto, os moradores voltaram o olhar para a casa, pensando em adaptações por conta do isolamento social e do home office.

Segundo a professora Sabrina Moreno, do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Módulo, outros episódios de crise sanitária mudaram tanto as residências quanto o urbanismo. “Uma das influências de espaços arejados, por exemplo, foram em função da peste bubônica e tuberculose”, explica.

Sabrina pondera ser difícil prever quais serão as principais mudanças. Contudo, no atual momento, muitas residências passaram por algumas transformações que, consequentemente, vão influenciar no futuro dos projetos residenciais –  inclusive para a necessidade de se pensar espaços de descanso. “Algo que já é comum é o isolamento da primeira área da casa, onde normalmente são deixados sapatos que vieram da rua”, exemplifica.

Um levantamento realizado pelo instituto Ideia Big Data mostrou que 59% dos brasileiros acreditam que o home office vai aumentar exponencialmente após a pandemia. Mas se há dúvidas de como deixar o lar ou um ambiente dele mais propícios para esse fim, o primeiro passo é contratar um profissional que desenhará essa funcionalidade.

“Mas, além disso, o mais válido é investir em móveis que tragam conforto e ergonomia. Por exemplo: pode ser que o trabalhador já tenha alguma mesa que poderá utilizar para o home office, porém a altura não é ideal. Já é possível encontrar no mercado suportes de notebooks que podem ter alturas ajustadas”.

A especialista comenta que as mudanças também têm ocorrido dentro dos comércios e empresas, que realizaram alterações no layout interno para promover maior segurança de higiene para seus funcionários e clientes. “Incluíram dispensers com álcool, guichês foram equipados com barreiras de proteção, entre outros”, relata. Ela lembra que já existem normas regulamentadoras da ergonomia no trabalho (NR 17), e indica a possibilidade de haver futuramente uma norma ou revisão em função da pandemia, que possa contemplar maiores distanciamentos.

Sabrina argumenta que as medidas sanitárias provavelmente serão assunto nos próximos projetos residenciais e urbanos, já que sistemas viários, por exemplo, tiveram sua concepção de projeto influenciado por outras doenças.

A docente de Módulo aponta que algumas condições ideais não refletem as moradias de boa parte da população brasileira, sejam legalizadas ou não. “Muitos imóveis construídos podem sequer ter condições de ser adaptados”, conta.

“A expectativa é que projetos futuros contemplem soluções e adaptações possíveis ao home office, já que algumas empresas não descartam manter essa forma de trabalho mesmo após a pandemia. Além disso, questões sanitárias são dinâmicas, sempre foram preocupação da arquitetura, que pensa nos confortos (térmico, acústico, luminoso, etc.) durante a concepção de um projeto”, finaliza.

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