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19 de setembro de 2024

Entenda como enchentes afetam a saúde mental e o que fazer para superar os efeitos psicológicos

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Especialista ressalta que os efeitos psicológicos das enchentes podem se manifestar tanto a curto quanto a longo prazo.

As enchentes não causam apenas destruição física, mas podem deixar marcas profundas na saúde mental das pessoas afetadas. De acordo com a psicóloga Susani Luzia Silva Oliveira, psicóloga e professora mestra do curso de Psicologia do Centro Universitário Cesuca, esses eventos climáticos adversos podem desencadear uma série de impactos emocionais e psicológicos, como aumento do estresse, ansiedade, depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

“A experiência de passar por uma enchente pode ser traumática para muitas pessoas, pois envolve perda de bens, incertezas sobre o futuro e a necessidade de deslocamento forçado. Esses fatores, combinados com a destruição de lares e comunidades e perda de entes queridos, podem provocar uma intensa sensação de luto, isolamento social e perda de identidade”, explica.

A psicóloga ressalta que as consequências emocionais variam de acordo com a intensidade da enchente, o suporte social disponível e as características individuais de cada pessoa. “É comum observar mudanças comportamentais, como irritabilidade, agressividade ou retraimento social, além de sintomas de TEPT, como flashbacks, pesadelos e hipervigilância”, explica ela.

Susani complementa: os efeitos psicológicos provenientes das enchentes podem se manifestar tanto a curto quanto a longo prazo. No curto prazo, as pessoas podem apresentar estresse agudo e reações emocionais intensas, como medo e ansiedade. A vivência de situações extremas e potencialmente mortais pode resultar em trauma, levando ao desenvolvimento de sintomas de TEPT, por exemplo. Além de sensações como desorientação e confusão, o que dificulta a tomada de decisões e exacerba o estresse emocional.

“Já a longo prazo, o estresse prolongado e a insegurança financeira e emocional podem levar ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade crônicos, mesmo após a recuperação financeira. A perda de lares e a destruição de comunidades frequentemente levam a sentimentos persistentes de tristeza e desesperança, aumentando o risco de depressão”, afirma.

Susani comenta ainda que crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis, pois essas experiências podem afetar seu desenvolvimento emocional e social, impactando dinâmicas familiares. Entretanto, ela destaca que nem todos os indivíduos irão desenvolver sintomas após o evento, uma vez que a resposta psicológica é influenciada por fatores como história de vida, suporte social e características pessoais.

A importância do acompanhamento psicológico

A psicóloga Susani Oliveira enfatiza a necessidade do acompanhamento psicológico para as vítimas de enchentes. “Intervenções precoces podem prevenir o desenvolvimento de transtornos como ansiedade e depressão, além de fortalecer a resiliência dos indivíduos, ajudando-os a reconstruir suas vidas”, explica.

Entre as abordagens terapêuticas mais eficazes, Susani destaca a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia de Exposição e a Terapia de Grupo. “Essas intervenções, quando adaptadas às necessidades individuais, são fundamentais para promover a recuperação emocional e mental após uma enchente”, completa.

O papel da comunidade e das instituições

A docente também menciona a necessidade de políticas públicas e ações comunitárias para apoiar as vítimas. “É muito importante a criação de centros de apoio, treinamento de voluntários para oferecer suporte emocional, e campanhas de conscientização para normalizar a discussão sobre saúde mental e reduzir o estigma”, sugere. Além disso, destaca a importância da criação de programas de psicoeducação e o envolvimento das famílias no processo de recuperação; parcerias com profissionais de saúde mental são estratégias recomendadas para garantir o bem-estar psicológico das vítimas. “Essas ações coordenadas e integradas criam um ambiente de suporte robusto que ajuda as vítimas a se recuperarem não apenas fisicamente, mas também emocionalmente, após um desastre natural”, conclui.

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