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19 de outubro de 2022

Entenda os mitos e verdades do metaverso

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Me. Álvaro Augusto Pereira, professor dos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Ciência da Computação do Ceunsp, explica e desmistifica as principais dúvidas dessa nova realidade virtual

Bastante especulado, o Metaverso vem sendo cada vez mais falado e questionado. Apesar do termo ter ficado conhecido recentemente, a tecnologia apareceu pela primeira vez no romance ‘Snow Crash’, publicado por Neal Stephenson em 1992. No livro, o autor descreveu o metaverso como uma realidade virtual onde as pessoas conviviam através de avatares em 3D.

Me. Álvaro Augusto Pereira, professor dos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Ciência da Computação do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), explica que o significado de “meta” quer dizer transcendente, ou seja, que excede a natureza física das coisas. Já o termo “verso”, nada mais é que a redução da palavra universo, então, o metaverso pode ser considerado como o universo que extrapola as barreiras físicas do mundo real.

“O metaverso é um conjunto de espaços virtuais, os quais você pode criar e explorar com outras pessoas que não estão no mesmo espaço físico que você, além de poder estar com seus amigos, trabalhar, jogar, aprender, comprar, criar e mais. Não é necessariamente sobre passar mais tempo online, mas tornar mais significativo o tempo que você está online”. 

Augusto esclarece que este não é um produto que uma companhia poderá desenvolver sozinha. “Assim como a internet, o metaverso existe independentemente de o Facebook estar lá ou não. E não será desenvolvido da noite para o dia. Muitos destes produtos só se tornarão realidade nos próximos 10 a 15 anos”.

O professor reforça ainda que, o metaverso não é um produto único, como os aplicativos da Meta – Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp – são. E nem um sistema operacional como o Windows da Microsoft, ou um hardware, como o iPhone da Apple.

Assim como a internet de hoje, o metaverso será uma constelação de tecnologias, plataformas e produtos. Não será construído, operado e gerido por somente uma empresa ou instituição. Serão necessárias várias empresas grandes e pequenas, a sociedade civil, o setor público e milhões de criadores individuais.

Por ser novidade, o metaverso ainda gera muitas dúvidas na população, marcas e empresas. Pensando nisso, o professor de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Ciência da Computação do Ceunsp, elencou alguns mitos, verdades e perigos desta realidade virtual. Confira!

O metaverso foi criado por Mark Zuckeberg. Mito. O metaverso começou a ganhar mais atenção do mercado desde que o Facebook anunciou, em outubro de 2021, que seria renomeado para Meta. Porém, o conceito existia muito antes de Mark Zuckerberg trazer para o centro da discussão.

Na verdade, o termo foi usado pela primeira vez em um livro chamado Snow Crash no início dos anos 1990. Na ficção científica, os personagens usam seus avatares para viajar pelo universo cibernético para se salvar da distopia do capitalismo.

Cerca de uma década depois, o conceito também apareceu no jogo Second Life, um ambiente virtual 3D que simula a vida por meio de interações entre avatares.

É possível entrar no metaverso. Verdade. O metaverso idealizado por grandes empresas de tecnologia ainda não está pronto, mas já existem “versões emergentes” desse universo. Exemplos são games como Roblox e The Sandbox, que oferecem experiências dinâmicas em mundos completamente virtuais e podem ser visitados usando o computador ou o celular. Já outras plataformas, como a Horizon Worlds, da Meta, exigem óculos de realidade virtual para entrar.

Oportunidades de emprego no metaverso. Verdade. À medida que as corporações anunciam suas abordagens tecnológicas, novas carreiras relacionadas ao metaverso começam a surgir. Quem pensa que isso representa uma oportunidade apenas para profissionais de tecnologia está enganado.

Enquanto os desenvolvedores são de fato essenciais para orientar a construção e implementação de mundos virtuais, profissionais de diferentes áreas de formação são essenciais para integrar o ambiente em uma extensão da realidade.

É preciso usar óculos de realidade virtual  (VR). Mito. Ao pesquisar o termo “metaverso” em sua biblioteca de imagens, é provável que você veja muitas fotos de pessoas usando óculos ou fones de realidade virtual para acessar a tecnologia. Mas a verdade é que, embora estejam intimamente relacionados a esse novo universo, não são a única maneira de entrar nele. A ideia é que computadores, celulares e outras plataformas também possam ser usados para acessar mundos virtuais.

Irá mudar a economia digital. Verdade. Segundo as consultorias econômicas o metaverso trata-se de uma oportunidade de monetizar gastos dos consumidores em segmentos diversos, que vão de jogos e vestuário a automóveis, imóveis e entretenimento, movimentando valores que podem chegar a US$ 8 trilhões e gerar um enorme impacto na economia.

O metaverso é uma realidade só do mundo de games?  Mito. Pode até ter sido há muito tempo que a existência de espaços combinando realidade e internet com realidade física, aumentada e virtual só poderia ser imaginada no universo dos jogos.

Mas por meio dessa tecnologia, o metaverso pode ser aplicado em diferentes indústrias e mercados. De fato, já foram realizados desfiles de moda, reuniões corporativas, compras e aulas online, cerimônias religiosas e até serviços consulares no metaverso.

Qualquer pessoa pode entrar na realidade metaverso? Verdade. A falta de compreensão do que é o metaverso pode dar a falsa impressão de que “não é para todos”, mas as novas tecnologias estão tendendo a se tornar mais populares. Seja parte disso. Uma realidade para todos, independentemente da idade, poder aquisitivo e interesse por tecnologia. Consultorias de tecnologia estimam que, até 2026, um quarto da população mundial passará pelo menos uma hora por dia em um ambiente virtual.

A tendência é que todos virem os “bonecos de realidade virtual”? Parcialmente verdade. Então sim, existe uma tendência de no futuro, a mistura entre o físico e o virtual estar muito forte e muitas pessoas podem dar preferência de se manterem na sua vida virtual em vez de ter uma vida no mundo real. Mas existe um longo trajeto a ser percorrido até que isso seja possível.

A grande tendência é as empresas se prepararem para essa nova realidade, o que significa que, em breve, poderemos visitar um shopping por meio de um avatar ou fazer compras em um shopping virtual – graças aos dispositivos com capacidade para realidade mista, que possibilitaram uma experiência mais real para o cliente que compra virtualmente.

Isso não se aplica só a grandes empresas. O pequeno empresário precisa fazer uso das tecnologias disponíveis. Imagine uma pequena loja de bijuterias que deseja oferecer uma experiência de compra diferente. Ela pode criar uma imagem virtual para que a cliente possa visualizar a peça nela mesma, sem a necessidade de retirá-la do mostruário. Essa é uma tecnologia que pode ser popularizada, pois já está dentro do celular das pessoas.

Por fim, o professor do Ceunsp finaliza: assim como tudo na vida existe o lado bom e o lado ruim, então entrar de cabeça em uma nova tecnologia sem o conhecimento necessário pode ser perigoso, sabemos que é preciso estar abertos aos avanços tecnológicos, mas isso deve ser feito com responsabilidade para não cair nas armadilhas do desconhecido e ter prejuízos, mas de fato o metaverso veio para ficar e será o futuro das relações “interpessoais”, mesmo sendo virtuais.

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