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16 de dezembro de 2020

Especialista aponta que células contidas no dente de leite ajudam no tratamento de doenças e possuem potencial regenerativo

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 Professora Daniela Moraes, do curso de Odontologia do UDF, explica como funciona a terapia regenerativa a partir da utilização de células-tronco mesenquimais, presentes nos dentes de leite das crianças

Estudos iniciais com células-tronco mesenquimais mostram sucesso no tratamento do Alzheimer e Parkinson

Os dentes de leite são as fontes mais acessíveis às células tronco do organismo humano, e por sua vez, podem ajudar no tratamento de doenças futuras, além de conterem alto poder regenerativo e multiplicador.

A polpa do dente de leite é composta por vasos sanguíneos, nervos e células-tronco ‘mesenquimais’, ou seja, possuem capacidade de ampla variedade de diferenciação, tais como células do músculo, tecido nervoso, tecido adiposo, ossos, pele, tecido cardíaco e até cartilagem.

Estudos iniciais realizados no Japão e em outros países mostraram o sucesso desse tipo de terapia molecular no tratamento de doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson, por exemplo. Além disso, após a aplicação das células mesenquimais, os resultados apontaram para melhora da qualidade de vida desses pacientes, em muitos casos também prolongando sua estimativa de sobrevida.

Quem pesquisa há alguns anos o tema, é a professora e odontologista Daniela Moraes, que leciona no curso de Odontologia do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) — instituição que integra a Cruzeiro do Sul Educacional. Especialista no assunto, a docente tem dedicado parte do seu tempo a analisar a terapia molecular com células mesenquimais.

“Trata-se de uma terapia muito promissora e que se estende em diversas frentes de aplicações. As células mesenquimais, presentes nos tecidos dos dentes de leite, demonstraram alta capacidade multiplicadora e regenerativa, sendo possível até mesmo produzir tecidos ósseos a partir delas”, explica a docente do UDF.

Ainda segundo Daniela, as mesmas células mesenquimais podem ser utilizadas para tratamentos odontológicos. “Até mesmo em lesões causadas por cáries e em outros tecidos da região buco-maxilar”, afirma.

Para que seja possível ter acesso a esse tipo de tratamento, no entanto, é necessário preservar os dentes de leite logo após a sua extração ou queda do organismo. De acordo com a especialista, o tempo para que as células se mantenham vivas e úteis até o seu armazenamento correto é de até duas horas.

Como armazenar o dente de leite

Ainda um dos percalços para se acessar o tratamento molecular, o armazenamento correto dos materiais, no caso o dente de leite, é primordial para o sucesso dos tratamentos no futuro. Isso porque as células mesenquimais contidas na polpa dentária podem morrer em até 120 minutos, caso não sejam adequadamente acondicionados em local próprio.

A fim de mantê-las úteis, é necessário que as células fiquem armazenadas a temperaturas baixíssimas, que muitas vezes passam das centenas de graus negativos. Nesse caso, a recomendação de Daniela, é pesquisar sobre institutos de tecnologia reconhecidos pela Anvisa que oferecem esse tipo de serviço e buscar orientação profissional.

“Esses locais possuem armazenamentos próprios e galões específicos para o acondicionamento desse material. É isso que garante o sucesso de suas aplicações na saúde, além deles possuírem critérios específicos para cada objetivo de preservação das células”, comenta a especialista.

Para Daniela, é possível que em alguns anos o tratamento chegue a ser oferecido também pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por se tratar de uma tecnologia altamente eficaz, na análise da docente, a comunidade científica pode pressionar as autoridades a adotar o tratamento no regime público de Saúde.

Tanto a professora quanto o UDF se colocam à disposição para atender a imprensa e outros interessados em abordar o tema acima descrito.

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