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9 de setembro de 2026

Esquecimentos após os 50 anos: quando a perda de memória é normal e quando merece atenção

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Docente do Ceunsp explica como diferenciar lapsos comuns do envelhecimento de sinais que podem indicar alterações cognitivas

Esquecer ocasionalmente onde deixou os óculos, ter dificuldade momentânea para lembrar o nome de alguém ou sentir que uma palavra está “na ponta da língua” são situações que podem acontecer em qualquer idade e fazem parte do envelhecimento normal. Completar 50 anos, portanto, não significa que a memória necessariamente começará a falhar. O que merece atenção é quando esses episódios se tornam mais frequentes, representam uma mudança em relação ao comportamento habitual e passam a interferir na rotina.

Segundo o professor de psicologia do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), Felipe Kenned de Oliveira Martins, é natural que algumas pessoas precisem de mais tempo para recuperar determinadas informações com o passar dos anos, desde que continuem aprendendo, tomando decisões e realizando suas atividades de forma independente. “Nos esquecimentos comuns, a lembrança geralmente volta depois e a pessoa continua conduzindo sua vida. Na demência, as dificuldades prejudicam atividades que antes eram familiares e podem envolver também a fala, o comportamento e a orientação”, explica.

Um dos principais sinais de alerta é a mudança no padrão de memória. Esquecer uma informação pontualmente não significa, por si só, que exista um problema cognitivo. Por outro lado, episódios recorrentes, como esquecer uma conversa que acabou de acontecer, fazer a mesma pergunta várias vezes em poucos minutos ou perder compromissos repetidamente mesmo utilizando lembretes, merecem investigação.

Também é importante observar situações em que a pessoa passa a guardar objetos em lugares incomuns e não consegue reconstruir mentalmente os passos que realizou para encontrá-los. “Um episódio sozinho não é suficiente para dizer que alguém tem demência. Essas situações merecem investigação principalmente quando se tornam frequentes”, destaca o especialista.

Mudanças além da memória também merecem atenção

Alterações cognitivas podem se manifestar de outras formas além dos esquecimentos. Dificuldade para acompanhar uma conversa, encontrar palavras comuns ou realizar um caminho conhecido são alguns exemplos. Mudanças no comportamento também podem chamar a atenção, como maior isolamento, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer ou atitudes muito diferentes do padrão habitual.

As dificuldades podem aparecer ainda em tarefas cotidianas. Uma pessoa que sempre administrou as próprias contas ou preparou determinada receita, por exemplo, pode começar a se atrapalhar nessas atividades. Para o especialista, mais importante do que um episódio isolado é observar a evolução e comparar o funcionamento atual com o que era habitual para aquela pessoa. “É preciso perceber o que mudou em relação a como ela era antes”, afirma Felipe.

Estresse e falta de sono também podem afetar a memória

Nem toda queixa de memória está relacionada a uma doença neurológica. Estresse, ansiedade e privação de sono podem dificultar a capacidade de registrar novas informações. Isso acontece porque, para lembrar posteriormente de algo, é necessário que a informação seja adequadamente percebida e armazenada inicialmente.

Depressão, determinados medicamentos e alterações da tireoide também podem estar relacionados a dificuldades de memória. Por isso, a avaliação deve considerar quando os sintomas começaram, o que estava acontecendo na vida da pessoa naquele período e se as dificuldades estão aumentando.

Para quem percebe uma piora progressiva da memória, o primeiro passo pode ser procurar um médico de família ou clínico geral, inclusive na Unidade Básica de Saúde. A partir dessa avaliação, outros profissionais podem ser envolvidos de acordo com a necessidade, como neurologista, geriatra ou psiquiatra. O especialista reforça ainda que o envelhecimento, por si só, não significa o desenvolvimento de demência. A observação do conjunto de sinais e, principalmente, da evolução das dificuldades é fundamental para identificar quando uma investigação pode ser necessária.

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