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10 de fevereiro de 2026
Estudantes da Paraíba transformam sustentabilidade e identidade local em moda autoral
Projeto de extensão do Unipê une formação profissional, zero desperdício e valorização do território paraibano em um processo criativo autoral
Um vestido desenvolvido por estudantes de Design de Moda da Paraíba se tornou símbolo de como educação, sustentabilidade e identidade local podem se encontrar em uma peça autoral. Criado dentro de um projeto de extensão universitária, o modelo foi pensado do desenho à confecção com foco em zero desperdício e valorização da moda como ferramenta de impacto social.
A iniciativa surgiu perto do fim de 2025 e veio por parte de Dyana Barreto Bezerra, professora de Design de Moda. A ideia era que a reitora Mariana de Brito Barbosa pudesse usá-lo nas comemorações de fim de ano da Instituição. No mesmo período, o Unipê recebia o selo de instituição de ensino superior mais sustentável pelo GreenMetric, maior ranking mundial de sustentabilidade de instituições acadêmicas.
A partir dessa conquista, quando o Unipê ficou em 1º lugar na Paraíba e no Nordeste e em 28º no Brasil, a reitoria da Instituição sugeriu um desafio para Dyana e os estudantes do curso: criar um vestido com temática sustentável para ser usado pela reitora da universidade em uma solenidade institucional – a colação de grau no início de 2026.
“O desafio era pensar a sustentabilidade de forma prática, não só no discurso. O vestido precisava ser funcional e coerente com essa narrativa”, explica a professora, que também é responsável pelo projeto de extensão Runway, voltado ao treinamento de estudantes para competições de moda.
Seis estudantes envolvidos no projeto foram convidados a desenvolver propostas completas de look, incluindo referências visuais, moodboards e conceito criativo. Após uma votação interna entre os próprios alunos, três propostas foram selecionadas e apresentadas à reitora, que escolheu o modelo final: um vestido em tom terracota, batizado de ‘Raízes’, inspirado na relação entre território, identidade e sustentabilidade.
Durante a produção, um obstáculo inesperado acabou fortalecendo ainda mais o conceito do projeto. “Percebemos que o tecido não seria suficiente e não havia tempo para comprar mais. Foi aí que adaptamos a modelagem e adotamos a técnica de zero waste (desperdício zero), pensando cada insumo na medida exata”, conta Dyana.
O resultado foi uma peça produzida sem desperdício de tecido, linha ou outros materiais utilizados na confecção: vestido em cor terracota (remetendo ao nome ‘Raízes’), com franjas e crochês, todo trabalhado manualmente. Quem criou a ideia do vestido foi Ana Beatriz Clemente, estudante de Design de Moda do Unipê.
“O vestido Raízes traduz, na prática, aquilo que acredito: criar com consciência e propósito coletivo”, conta Ana. “A ideia surgiu da minha visão de mundo holística, sistêmica, integrada, sendo a moda como ferramenta de transformação. Mergulhar no processo criativo, desde a modelagem, passando por alguns detalhes da costura ao trabalho manual de aplicação das franjas foi uma experiência muito significativa e enriquecedora”, pontua.
Os demais estudantes da equipe que criou o vestido são Ana Beatriz Bispo (concluinte), Atlas Gabriel Ramalho de Melo Oliveira, Hilda Josatá de Sousa Pires, Marggory Ellen Rodrigues dos Santos e Samara Longo Fernandes (concluinte).
Formação acadêmica e identidade
A reitora Mariana de Brito Barbosa utilizou o produto final na colação de grau. “É um vestido moderno, versátil e cheio de propósito, assim como os profissionais que formamos. Capazes de criar sem romper com a essência, de avançar sem esquecer de onde vieram e de transformar o futuro sem perder o vínculo com aquilo que realmente os sustenta”, reflete Mariana.
Mais do que o resultado, o projeto teve impacto direto na formação dos estudantes. Em vez de esperar pela coleção de conclusão de curso, os alunos puderam vivenciar, ainda durante a graduação, um processo completo de criação e execução autoral. “Ver um desenho sair do papel e se transformar em uma peça real fortalece muito a confiança profissional. Eles entendem melhor os processos, ganham maturidade técnica e passam a se enxergar como profissionais”, afirma a professora Dyana.
Além do aspecto técnico, o projeto também reforça valores como colaboração, trabalho em equipe e inserção no mercado de trabalho local, especialmente em um cenário onde a produção manual e a economia criativa têm forte presença.
A iniciativa também dialoga com a identidade da moda paraibana e com as questões do setor, como o acesso a matérias-primas sustentáveis e a valorização do fazer manual. Embora a Paraíba seja uma das principais produtoras de algodão colorido do país, grande parte da fibra é exportada, o que limita o uso do material na criação de coleções locais.
Apesar dessas dificuldades, projetos como esse mostram como a moda pode ser pensada de forma mais consciente, conectando educação, sustentabilidade e identidade regional. “É uma forma de mostrar, na prática, como a sustentabilidade pode ser aplicada no design e como a universidade pode contribuir para formar profissionais mais preparados e conscientes”, finaliza a professora.