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2 de fevereiro de 2026
Estudo brasileiro aponta proteína de fava como alternativa promissora ao whey
Pesquisa universitária desenvolve bebida proteica com alta aceitação sensorial e melhor resposta glicêmica em comparação à proteína tradicional
A busca por fontes alternativas de proteína tem ganhado força no mundo todo, impulsionada por mudanças no consumo alimentar, desafios climáticos e avanços da biotecnologia. Nesse cenário, uma pesquisa desenvolvida no Programa de Mestrado e Doutorado Profissional em Biotecnologia Industrial da Universidade Positivo aponta a proteína de fava como uma alternativa promissora ao whey protein, tradicionalmente utilizado em suplementos alimentares.
O estudo resultou no desenvolvimento de um shake proteico à base de concentrado de proteína de fava, criado para avaliar desde a aceitação sensorial até os efeitos fisiológicos do ingrediente no organismo. A pesquisa foi conduzida pela professora e pesquisadora Priscila Dabaghi, com etapas realizadas em parceria com a Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, onde foram realizados testes avançados de digestibilidade.
A escolha da fava como matéria-prima partiu de uma análise do seu potencial nutricional e tecnológico. Ainda pouco explorada no Brasil, a leguminosa apresenta um perfil de aminoácidos considerado favorável e uma estrutura proteica que permite digestão eficiente, com liberação adequada de aminoácidos. “Existe uma tendência global de diversificação das fontes proteicas. A fava se destaca por características nutricionais interessantes e por ainda ser pouco explorada no mercado nacional”, explica Dabaghi.
Um dos primeiros passos do estudo foi avaliar se o produto teria aceitação pelo consumidor. Para isso, foi realizada uma análise sensorial comparativa, envolvendo o shake de fava, proteínas vegetais comerciais à base de ervilha e arroz e o whey protein tradicional. O produto desenvolvido apresentou desempenho superior em atributos como sabor, textura, aroma e aparência, superando tanto as proteínas vegetais disponíveis no mercado quanto o whey. O resultado chama atenção, já que suplementos vegetais costumam enfrentar maior resistência sensorial por parte dos consumidores.
A pesquisa avançou então para a etapa clínica, com foco em um dos principais desafios de saúde pública da atualidade: o controle glicêmico em pessoas com diabetes tipo 2. Foram realizados testes de curva glicêmica comparando três intervenções — o shake de proteína de fava, o whey protein e um placebo. Os resultados indicaram que o consumo da proteína de fava levou a uma resposta glicêmica mais favorável, com menor pico de glicose no sangue quando comparado ao whey.
Para a pesquisadora, os dados reforçam que o uso de proteínas vai muito além do universo esportivo. “Proteínas de boa qualidade fornecem aminoácidos essenciais para diferentes funções do organismo, como manutenção da massa muscular, resposta imunológica e recuperação clínica. Os resultados mostram que a proteína de fava pode ter aplicações que extrapolam a nutrição esportiva”, afirma.
O estudo também evidencia o papel da biotecnologia industrial no desenvolvimento de alimentos mais alinhados às demandas atuais por praticidade, qualidade nutricional e transparência. Segundo Priscila Dabaghi, produtos industrializados não devem ser vistos automaticamente como vilões. “O desafio está em desenvolver soluções com boa composição nutricional e rótulos mais limpos, os chamados clean label, que realmente contribuam para a saúde das pessoas”, destaca.
Embora a proteína de fava já venha ganhando espaço no mercado internacional, inclusive como base para peptídeos bioativos utilizados em suplementos de última geração, sua aplicação comercial no Brasil ainda é limitada pela ausência de cultivo em larga escala. Mesmo assim, a pesquisa acadêmica abre caminhos importantes para futuras aplicações. “Os resultados reforçam o potencial da proteína de fava como uma alternativa viável, inovadora e promissora, tanto do ponto de vista científico quanto mercadológico, apontando novas possibilidades para o desenvolvimento de alimentos mais saudáveis e alinhados às tendências globais”, finaliza a docente.