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30 de dezembro de 2021

Faça planos para 2022, mas controle suas expectativas

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Ana Cláudia Zampieri, psicóloga e coordenadora do Curso de Psicologia do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

É muito normal que, ao entrar dezembro, muitas pessoas comecem a planejar metas e objetivos para os 12 meses seguintes. Contudo, nem sempre traçar planos para a virada de ano pode ser algo saudável. Se você não souber como administrar seus desejos e lidar com as frustrações, quem sofre é a sua saúde mental.

Uma das principais causas para a frustração é quando as expectativas criadas acerca de algo ou alguém não são correspondidas, e o período de final de ano é um potencializador dessa questão. Fim do ano funciona, para muitos, como um rito de passagem: seguimos o calendário e vamos repetindo um comportamento. É um período bastante emblemático, onde as pessoas projetam a possibilidade de rever e resgatar o que não foi possível realizar no ano anterior.

No entanto, é aconselhável controlar as expectativas e entender que muitos dos planos traçados fogem do nosso controle. A pandemia do Coronavírus é um ótimo exemplo de como existem coisas que estão fora da nossa alçada de decisão, que não temos como controlar. Nem sempre – ou quase nunca – os planos que fazemos dependem somente de nós mesmos para se concretizarem, e compreender isso é um grande passo para aprender a controlar e alimentar as expectativas. O limite é ter autoconhecimento suficiente para entender o que é ou não possível de realizar.

Uma boa estratégia para evitar se decepcionar com um plano é dividi-lo em etapas, para que seja mais factível o seu sucesso. Precisamos compreender que sempre existirão percalços, mas tendo consciência de quais são e como contorna-los, cada pequeno objetivo alcançado pode ser uma vitória a ser comemorada.

Não devemos criar metas que só serão possíveis de serem colocadas em prática na nossa imaginação. Sonhar faz parte, porém, devemos evitar ao máximo projetar realidades fantasiosas, que no fundo nós sabemos que não poderemos alcançar em um determinado período de tempo. Precisamos criar planos reais e que se encaixem nas nossas possibilidades, até mesmo para que não haja uma autocobrança excessiva caso não dê certo.

Deve-se ter cuidado com os “misticismos” da virada de ano, para não tirarmos nossos próprios méritos das conquistas. Os ritos renovam a esperança, como passar a virada de ano usando branco, amarelo, pulando ondas…. Entretanto, é preciso ter cautela ao depositar muita fé nessas tradições, de modo que não tiremos a responsabilidade e satisfação por determinada conquista, que é única e exclusiva de nós mesmos.

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