BRAZ CUBAS
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11 de novembro de 2025
Gastronomia afro-brasileira: sabor, memória e resistência
Docente do Braz Cubas destaca como a culinária de matriz africana preserva história e fortalece identidade cultural
A gastronomia afro-brasileira é muito mais que alimento: é memória, resistência e um dos pilares da identidade nacional. Criada a partir da criatividade e da força dos povos africanos escravizados, transformou ingredientes simples em pratos que se tornaram símbolos do Brasil, como a feijoada, o acarajé e a moqueca.
Para o professor Álvaro Mielke, do curso de Gastronomia do Centro Universitário Braz Cubas, essa tradição vai além do sabor. “É uma forma de resistência que preserva saberes ancestrais e mantém viva a ligação com as religiões de matriz africana, sendo um pilar fundamental da identidade brasileira”, afirma.
Ingredientes como azeite de dendê, leite de coco, vatapá e caruru, aliados ao trabalho das baianas do acarajé – reconhecido como patrimônio cultural –, revelam a criatividade e a força das matrizes africanas que moldaram a culinária brasileira. Receitas como quindim e cocada também carregam a marca da diáspora africana, conectando passado e presente.
Apesar de sua importância, a gastronomia afro-brasileira ainda enfrenta invisibilidade. Suas origens, profundamente ligadas à cultura negra, muitas vezes são apagadas ou minimizadas. O Mês da Consciência Negra é uma oportunidade para resgatar essas histórias, combater estereótipos e promover a descolonização dos paladares.
Segundo Mielke, as novas gerações têm papel essencial nesse processo ao registrar receitas, reinterpretar pratos e difundir a herança africana, sem perder a essência das tradições. “Essa data valoriza os guardiões desses saberes e incentiva a reflexão sobre a descolonização dos paladares, transformando a culinária em ferramenta de educação e resistência cultural”, destaca.
Mais que sabor, cada prato carrega lições de adaptação, espiritualidade e ancestralidade. “Através dessa culinária, aprendemos a filosofia Ubuntu – ‘eu sou porque nós somos’. A comida afro-brasileira é, por si só, um ato de reexistência”, conclui o professor.