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5 de fevereiro de 2026

Gatos são independentes, mas não indiferentes, aponta especialista

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Especialista do Unipê explica como os felinos criam laços com humanos, comunicam emoções e sofrem com a falta de estímulos no ambiente doméstico

Durante muito tempo, os gatos foram vistos como animais frios e totalmente independentes. Estudos recentes em comportamento animal, no entanto, mostram que essa percepção não é totalmente correta. Segundo especialistas, os felinos são capazes de criar vínculos afetivos seguros com seus tutores, ainda que de forma mais sutil do que os cães.

De acordo com o coordenador do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), prof. Dr. João Paulo de Lacerda Roberto, esses laços se manifestam no dia a dia por meio de comportamentos específicos. “Dormir próximo ao tutor, deitar no colo, acompanhar a pessoa pela casa, ronronar durante interações sociais ou recepcionar o tutor na porta são sinais claros de apego e confiança”, explica.

Outro comportamento comum é o hábito de trazer “presentes”, como brinquedos ou até presas. “Esse gesto faz parte da comunicação do gato e da tentativa de interação, não é apenas instinto”, acrescenta.

A ideia de que gatos são totalmente independentes tem origem em observações superficiais e na comparação direta com cães. Enquanto os cães evoluíram como animais sociais que caçam em grupo, os ancestrais dos gatos caçavam sozinhos, o que moldou um comportamento mais silencioso e discreto. “Isso não significa ausência de vínculo, mas uma forma diferente de se relacionar”, afirma o professor.

Assim como outros animais domésticos, os gatos têm necessidades emocionais claras, que muitas vezes são negligenciadas pelos tutores. Rotina previsível, interação social e enriquecimento ambiental são fundamentais para o bem-estar felino. Arranhadores, brinquedos interativos, esconderijos, locais elevados para observação e a redução de cheiros fortes no ambiente ajudam a diminuir o estresse e prevenir alterações comportamentais.

Os sinais de afeto dos gatos também são mais sutis. O piscar lento, por exemplo, indica confiança, enquanto encostar a cabeça no tutor está relacionado à marcação com glândulas faciais. Dormir exposto perto do tutor demonstra sensação de segurança. “Um erro comum é interpretar o comportamento felino com um olhar humano. Oferecer a barriga, por exemplo, nem sempre significa que o gato quer carinho”, explica o especialista.

Entender a linguagem corporal é essencial para respeitar os limites do animal. Cauda ereta com a ponta relaxada indica felicidade; cauda baixa e em movimento leve pode sinalizar estresse. Orelhas para frente demonstram curiosidade, enquanto orelhas achatadas indicam medo ou irritação. Posturas corporais, como o corpo arqueado, também sinalizam ameaça.

A falta de estímulos emocionais e ambientais pode gerar consequências sérias. Estudos associam o estresse crônico em gatos a problemas urinários, agressividade, lambedura excessiva e eliminação inadequada de urina e fezes. “Esses comportamentos não são ‘birra’, mas sinais claros de que algo no ambiente ou na rotina precisa ser ajustado”, finaliza o especialista.

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