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24 de setembro de 2021

Geólogo explica a importância da preservação de matas ciliares

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Me. Rodrigo Artur Perino Salvetti leciona no curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário N. Senhora do Patrocínio (CEUNSP) e avalia a necessidade da conscientização social sobre meio ambiente

Caracteriza-se por mata ciliar todo o tipo de vegetação que fica às margens de rios, igarapés, lagos, nascentes e represas. Essa vegetação aproveita-se da umidade proveniente dos corpos d’água para se desenvolverem, retirando nutrientes do solo e da própria água.

O geólogo Me. Rodrigo Artur Perino Salvetti, que leciona no curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP), instituição que pertence ao grupo Cruzeiro do Sul Educacional, explica que as matas ciliares formam uma importante proteção física que impede, por exemplo, o carreamento do substrato (solo e sedimentos) para dentro do corpo d’água, reduzindo a erosão e o assoreamento.

“A mata ciliar é um componente muito importante do meio natural e que precisa ser intensamente protegido. As árvores e plantas atuam não só como local de morada e abrigo para muitas espécies de todos os filos biológicos, mas ainda propiciam a redução da temperatura da superfície onde estão, o aumento da umidade do ar, a absorção do carbono atmosférico, a ciclagem de nutrientes do solo e a redução da poluição”, alerta.

CONCIENTIZAÇÃO SOCIAL E AMBIENTAL

Acerca da preservação das matas ciliares, o docente do CEUNSP explica que é preciso reforçar iniciativas de conscientização social acerca dos cuidados para com o meio ambiente.

“As ações de desmatamento generalizado e a invasão das áreas de proteção da mata ciliar afetam qualidade das águas superficiais e diminui a quantidade de umidade no ar, o que influencia o padrão de chuvas regional ou nacional. Isso vale, por exemplo, aqui para a região sudeste do Brasil. Parte considerável da umidade que se converte em chuvas no Estado de São Paulo vem dos rios voadores, massas de ar repletas de umidade provenientes da floresta amazônica. Com o desmatamento da floresta amazônica, a umidade diminui, e diminui também o volume de chuvas no nosso estado. Essa é uma das causas da crise hídrica que estamos vivenciando atualmente”, analisa o geólogo.

Salvetti alerta, ainda, que o desmatamento, além do assoreamento de rios e lagos, acarreta no secamento de nascentes e diminuição dos volumes aproveitáveis das águas que, usualmente, são aproveitadas para abastecimento, consumo e irrigação.

“Precisamos preservar. É obrigação de todos, e não apenas do poder público, zelar por esse meio ambiente. A população precisa se conscientizar de que lançar lixo e esgoto na mata e nos rios, provocar queimadas, desmatar florestas e a mata ciliar, avançar em áreas de preservação e caçar animais silvestres, cria um desequilíbrio ecológico e um desarranjo climático com consequências desastrosas. Como mencionei, a crise hídrica atual é consequência, em grande parte, se não totalmente, das ações humanas de extrair recursos do meio ambiente sem se importar com a sustentabilidade. Somente com ações sustentáveis é que poderemos garantir um futuro ambiental melhor para as próximas gerações”, analisa.

SALTO, ITU E REGIÃO

“Nossa região dispõe de uma área muito urbanizada e antropizada, e os principais biomas já foram completamente alterados pela ação humana. Por conta disso as áreas de proteção permanente (APP) e de mata remanescentes estão sofrendo forte pressão ambiental oriunda do surgimento de novos empreendimentos industriais, condomínio residenciais e loteamentos, com consequente aumento populacional. Isso gera uma demanda muito maior de recursos naturais, como água, por exemplo, que não estão mais disponíveis na abundância e qualidade de outrora. As antigas e atuais áreas de exploração mineral, como as extrações de argila para cerâmica e areia dos rios, também contribuíram para o desmatamento da vegetação original da região e comprometimento da qualidade do solo e da água de alguns locais. Isso tudo sem levarmos em consideração fatores externos, como a poluição do Rio Tietê, proveniente da Região Metropolitana de São Paulo, que impacta sensivelmente a qualidade de suas águas e de seu entorno”, explica Me. Salvetti, geólogo e docente no curso de Ciências Biológicas CEUNSP.

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