BRAZ CUBAS
|
Notícias
5 de março de 2026
Guerras e crises internacionais pressionam dólar, combustíveis e alimentos e podem impactar economia brasileira
Especialista explica como conflitos internacionais podem pressionar câmbio, inflação e custos de produção no Brasil
A escalada de tensões no cenário internacional — como o recente conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, marcado por ataques e contra-ataques no Oriente Médio — reacende alertas sobre os impactos que crises geopolíticas podem provocar na economia global. Embora esses confrontos aconteçam longe do território brasileiro, seus reflexos costumam chegar rapidamente ao país.
Segundo o professor de princípios econômicos do Centro Universitário Braz Cubas, Paulo Pereira, conflitos geopolíticos costumam gerar instabilidade nos mercados e provocar reflexos que acabam chegando ao dia a dia da população. “Mesmo quando esses conflitos acontecem fora do país, a economia brasileira sente os efeitos porque o sistema econômico mundial é interligado. Instabilidades internacionais costumam provocar oscilações nos mercados financeiros, interrupções nas cadeias de suprimentos e mudanças nos preços de commodities importantes”, explica.
Entre os principais reflexos das crises internacionais está a variação no câmbio. Em momentos de tensão geopolítica e incerteza nos mercados, o dólar costuma se valorizar em relação a diversas moedas, incluindo o real. Isso ocorre porque investidores ao redor do mundo tendem a direcionar recursos para ativos considerados mais seguros, como os títulos do governo dos Estados Unidos. Esse movimento aumenta a demanda pela moeda americana no mercado internacional, fortalecendo o dólar e pressionando outras moedas.
Com o dólar mais caro, diversos setores da economia passam a sentir os impactos, principalmente aqueles que dependem de produtos importados. “Quando o dólar sobe, insumos e produtos importados ficam mais caros. Isso afeta diretamente setores como eletrônicos, medicamentos, peças industriais e combustíveis. Em muitos casos, parte desses custos acaba sendo repassada ao consumidor final”, destaca o docente.
Algumas áreas da economia brasileira costumam sentir esses efeitos de forma mais rápida, especialmente aquelas mais conectadas ao comércio internacional. Setores como combustíveis e energia, alimentos, indústria e logística tendem a ser os primeiros a registrar os impactos, já que dependem diretamente de insumos importados ou são influenciados pelas variações nos preços internacionais de commodities.
O especialista explica que o petróleo, por exemplo, é um dos insumos mais sensíveis em momentos de crise internacional. Quando seu preço sobe no mercado global, os combustíveis tendem a acompanhar esse movimento, o que não afeta apenas quem abastece o carro. A alta também impacta toda a cadeia de transporte e distribuição de mercadorias, encarecendo o frete e pressionando os preços de diversos produtos que chegam aos supermercados.
Esse cenário também pode pressionar a inflação caso a instabilidade internacional se prolongue. De acordo com Paulo, quando há aumento simultâneo nos preços de energia, das commodities e do câmbio, cria-se um ambiente inflacionário. Nessas situações, itens como combustíveis, alimentos e produtos importados costumam ser os mais afetados.
Se a inflação sobe, o Banco Central pode manter os juros elevados por mais tempo para conter o avanço dos preços, o que também impacta o crescimento econômico. A incerteza internacional também tende a levar empresas e investidores a adotarem uma postura mais cautelosa. Nesse cenário, projetos de investimento podem ser adiados e o ritmo de crescimento da economia pode desacelerar.
Diante desse cenário, especialistas apontam que a organização financeira se torna ainda mais importante para as famílias. “Em momentos de instabilidade global, é comum observar maior volatilidade nos preços de combustíveis, transporte e alguns alimentos. Por isso, o planejamento financeiro, o controle de gastos e a formação de uma reserva de emergência são ferramentas importantes para enfrentar períodos de maior incerteza econômica”, orienta.