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27 de maio de 2026

Inteligência Artificial (IA) no ensino: pesquisador da UP aponta o que é real e o que é alarmismo

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Mitos foram desconstruídos em tese de doutorado que discute os caminhos para evitar a mera operacionalização de ferramentas

A discussão recorrente sobre o uso e os efeitos da IA no meio acadêmico está no centro da pesquisa realizada por Jeferson Freitas, que fez doutorado no Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) na Universidade Positivo. A tese “Inteligência Artificial (IA) no Ensino Superior Online (ESO): Personalização, Impactos e Desafios na Era Digital” aborda que a tecnologia deve ser usada em um ambiente de “empatia, escuta, mediação de conflitos e formação ética”.

Na avaliação do pesquisador, os materiais geralmente divulgados em redes sociais oscilam entre dois extremos: a IA como solução milagrosa para todos os problemas da educação, ou como ameaça ao trabalho de professores e mecanismo para a perda de habilidades por parte de estudantes. A realidade, segundo Freitas, pode ser mais complexa e, ao mesmo tempo, interessante.  

O pesquisador explica que a IA trabalha com probabilidades e reconhecimento de padrões. “Mas ela não tem consciência, não percebe a insegurança de um aluno, não cria vínculo e não tem responsabilidade moral”, diz. Há a possibilidade de ampliar a autonomia docente, que passa a ter uma presença mais estratégica como mediador da aprendizagem, curador de conteúdos, criador de experiências educacionais e orientador ético no uso das tecnologias. “Mas é o professor que promove reflexão crítica, contextualiza o conhecimento e estabelece conexões humanas que nenhuma IA consegue substituir de forma genuína”, enfatiza.

IA na personalização do ensino

A personalização do ensino é um aspecto relevante da IA na educação. Significa adaptar as experiências de aprendizagem às necessidades, ritmos, dificuldades e interesses individuais dos estudantes. “Trata-se de um movimento importante porque, historicamente, a educação foi estruturada em modelos homogêneos, nos quais todos os alunos recebem o mesmo conteúdo, no mesmo ritmo e forma, independentemente de suas particularidades”, destaca Freitas.

A personalização em escala, como nota o especialista, “é uma condição que antes simplesmente não existia”. Além de auxiliar em correções objetivas, organizar conteúdos e a identificar riscos de evasão escolar, principalmente em plataformas de ensino superior online.

Dados do relatório “IA nas escolas 2027: a nova era das superescolas” documentam casos reais de pesquisa sobre o tema no país e no exterior, com referências e orientações de instituições como Stanford HAI, Harvard e Unesco. Além de mensurar o impacto pedagógico, o estudo aponta para uma transformação estrutural no perfil de uso de IA: 63% dos professores utilizam a tecnologia como suporte pedagógico há seis meses, mais da metade já incorpora o uso em pelo menos duas aulas por semana, e 91% dos docentes declararam que a IA otimiza o tempo em aproximadamente 15 horas mensais, antes gastas em atividades operacionais.

O uso ético com foco em segurança e suporte docente integram as diretrizes para o uso de IA na educação básica, proposição do Ministério da Educação (MEC), lançado em abril de 2026. O documento fornece orientações, a promoção do letramento digital, além de oferecer o curso FluêncIA Educadores, com o objetivo de personalizar o ensino e apoiar gestores escolares.

De acordo com a Secretaria da Educação do Paraná, mais de duas mil escolas da rede estadual já utilizam IA. Estima-se que 500 mil estudantes paranaenses dos últimos anos do ensino fundamental e médio têm acesso a diferentes tecnologias de IA em sala de aula para facilitar a aprendizagem em disciplinas como matemática, inglês, além de auxiliar professores na elaboração e na correção de redações dos alunos.

Nesse cenário, a orientação do especialista para evitar a visão tecnicista baseada em eficiência e produtividade passa pela formação continuada, desenvolvimento de competências pedagógicas, críticas e éticas em relação ao uso de IA. “Aprendizagem envolve diálogo, escuta, sensibilidade, vínculos humanos e formação integral”, elementos que dependem diretamente da presença e da intencionalidade do professor, completa Freitas. 

O dilema: proibir ou adaptar? 

Com ferramentas de geração de texto no bolso de qualquer estudante, as instituições se viram diante de uma escolha: proibir ou adaptar?

Para Freitas, a proibição resolve menos do que parece. “O problema não está na ferramenta, mas na ausência de transparência e na substituição do processo de aprendizagem pelo simples ‘copiar e colar’.” Ignorar que a IA já faz parte da realidade dos alunos, compara ele, seria como proibir calculadoras ou mecanismos de busca.

Como auxílio no cotidiano docente, embora apoie diversos processos educacionais, a IA não substitui “a leitura emocional da turma, sensibilidade cultural, mediação de conflitos e a formação ética e cidadã”, reitera.

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