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28 de janeiro de 2026
IPTU, IPVA e outros impostos: como sobreviver aos gastos do início do ano
Especialista explica quais tributos pesam no orçamento das famílias e dá orientações para evitar endividamento
O início do ano costuma representar um dos períodos mais desafiadores para o orçamento das famílias brasileiras. Além das despesas recorrentes, como alimentação e moradia, os primeiros meses concentram uma série de obrigações financeiras, entre elas o pagamento de impostos como IPTU, IPVA e licenciamento de veículos, além de gastos com educação e reajustes contratuais.
De acordo com o professor Wagner Pagliato, coordenador do curso de Ciências Contábeis e do Núcleo de Apoio Fiscal (NAF) da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), a falta de planejamento faz com que muitos consumidores recorram a parcelamentos ou crédito para dar conta dessas despesas. “Embora não exista um percentual fixo, estima-se que os tributos patrimoniais e taxas de início de ano representem entre 5% e 10% da renda anual de uma família de classe média que possua imóvel e veículo”, explica.
Entre janeiro e março, os principais impostos são o IPTU, cobrado pelos municípios sobre imóveis urbanos; o IPVA, imposto estadual incidente sobre veículos automotores; e o licenciamento anual, obrigatório para a circulação regular dos veículos. Em muitos municípios, taxas como coleta de lixo e iluminação pública também vêm incorporadas ao carnê do IPTU.
No caso do IPVA, Pagliato lembra que a obrigação recai sobre quem é proprietário do veículo no início do exercício. As regras de isenção variam conforme o estado, mas geralmente contemplam veículos mais antigos, pessoas com deficiência e algumas categorias profissionais. “A inadimplência gera multa, juros, impede o licenciamento e pode resultar na apreensão do veículo em fiscalizações”, alerta.
Já o atraso no IPTU pode levar à inscrição do débito em Dívida Ativa do município. Em situações mais prolongadas, o contribuinte pode enfrentar execução fiscal e, em último caso, até leilão do imóvel. “É um processo demorado, mas que começa com notificações formais e acúmulo de encargos”, afirma o especialista.
Quando o orçamento não permite quitar todas as obrigações, a orientação é priorizar aquelas que geram consequências mais imediatas. “IPVA e licenciamento tendem a trazer impactos mais rápidos, como a impossibilidade de circular com o veículo. O IPTU, em geral, permite negociação posterior por meio de programas municipais de parcelamento”, destaca Pagliato.
Sobre a forma de pagamento, o professor explica que quitar à vista é vantajoso quando há desconto e disponibilidade de recursos. “Mas se isso comprometer despesas essenciais, o parcelamento é mais saudável. Usar crédito caro apenas para aproveitar desconto, na maioria das vezes, não compensa”, pontua.
Para atravessar o início do ano sem aperto financeiro, a principal recomendação é planejamento. “Reservar mensalmente valores para impostos, verificar possibilidades de isenção, comparar condições de pagamento e evitar crédito de alto custo são medidas simples, mas que reduzem significativamente o impacto desse período no orçamento”, conclui.