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20 de outubro de 2025
Jovens pesquisadoras do DF quebram barreiras e saltam da graduação para o doutorado
Lana Passos Milhomem e Amanda Fonseca da Costa se destacam pela excelência científica e conquistam aprovação direta em programas de doutorado
Em um cenário onde a presença feminina na ciência continua a conquistar espaço, as trajetórias de Lana Passos Milhomem e Amanda Fonseca da Costa, egressas do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), representam conquistas que ultrapassam barreiras e inspiram novas gerações de pesquisadoras. Ambas foram aprovadas diretamente no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande (MS), um feito notável reservado a estudantes de destaque acadêmico e científico que dispensa a etapa do mestrado.
A jornada científica de Lana e Amanda teve início ainda na graduação, por meio da Iniciação Científica (PIBIC), onde se destacaram pela dedicação, rigor técnico e resultados expressivos. Embora atuando em diferentes linhas de pesquisa – saúde metabólica, nanotecnologia e inovação biomédica –, seus trabalhos refletem um compromisso compartilhado com a pesquisa de ponta.
Lana Passos Milhomem: Desvendando a diabesidade e a inflamação
Lana Passos Milhomem, egressa do curso de Nutrição, iniciou sua trajetória científica aos 20 anos, dedicando-se à área da diabesidade – a associação entre obesidade e diabetes tipo II, um dos maiores desafios da saúde pública global. Sob orientação do Professor Dr. Filipe Moura Ribeiro, Lana conduziu três ciclos completos de pesquisa.
Seus estudos exploraram a influência de estratégias combinadas, como o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT), sua descontinuação e retreinamento, além da combinação de tratamento farmacológico (com tirzepatida) e exercício físico em modelos animais. “Meu objetivo era analisar os principais marcadores inflamatórios envolvidos na diabesidade, investigando a influência dessas intervenções em tecidos cruciais como o adiposo e o intestinal”, explica Lana.
Suas descobertas contribuem significativamente para a compreensão dos mecanismos da inflamação intestinal e sistêmica, abrindo caminhos para estratégias terapêuticas mais eficazes. O reconhecimento de seu trabalho veio em forma de premiações em congressos, como a 10ª colocação no 22º Congresso Nacional de Iniciação Científica (CONIC-SEMESP), e publicações internacionais.
A egressa é coautora de dois artigos científicos em periódicos de alto impacto – iScience e Peptides, ambos da Elsevier –, e tem um terceiro artigo aceito na Gerontology (Karger). No doutorado, ela dá continuidade à sua linha de pesquisa com um projeto sobre peptídeos sintéticos para inibição do apetite e controle do peso corporal, em parceria com a startup Peptidus Biotech.
Para aluna, a jornada na pesquisa científica é profundamente enriquecedora e gratificante. “Não sou uma gênia; apenas aproveitei a oportunidade em algo no qual encontrei propósito, que se transformou em paixão e no qual acreditei diariamente, com esforço e resiliência”, conta, destacando o apoio fundamental de seu orientador, família e grupo de pesquisa.
Amanda Fonseca da Costa: Inovação em nanotecnologia para a saúde
Amanda Fonseca da Costa, graduanda em Enfermagem pelo UDF, também trilhou um percurso notável que a levou à aprovação direta no doutorado em Biotecnologia. Ao longo de quatro ciclos de iniciação científica, a aluna se destacou em projetos interdisciplinares que uniram nanotecnologia, bioquímica e biotecnologia aplicada à saúde.
Nos dois primeiros ciclos, investigou os efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) sobre o biomarcador TMAO em modelos animais com dieta obesogênica. Nos ciclos seguintes, sua pesquisa evoluiu para o desenvolvimento de sistemas nanotecnológicos voltados à liberação controlada de peptídeos bioativos.
Este trabalho culminou no projeto “Laponite como sistema de delivery para peptídeos antimicrobianos: aplicações em curativos bioativos”. Sua metodologia envolveu desde a síntese de peptídeos até a incorporação em nanoestruturas e avaliação biológica, visando o desenvolvimento de curativos mais eficazes.
A aluna também participou de diversos congressos, como o CONIC-SEMESP e o ConCREF7, onde foi premiada na categoria de projetos em andamento. Ela é coautora de artigo publicado na revista iScience (Cell Press Journal), consolidando uma produção científica de alto nível já na graduação.
Segundo a egressa, a experiência na ciência trouxe um profundo senso de propósito: “Receber prêmios e reconhecimento da comunidade científica foi um dos momentos mais marcantes da minha trajetória. Mais do que troféus, significam o resultado de horas de estudo, experimentos e persistência. Como mulher na ciência, ver meu trabalho valorizado reafirmou meu compromisso de seguir pesquisando e transformar resultados em impacto real”, ressaltando o apoio de seus orientadores.
Inspiração para o futuro da ciência
As conquistas das egressas refletem a força da pesquisa científica e o impacto de programas institucionais que estimulam o protagonismo estudantil, especialmente entre mulheres na ciência. Para o Professor Dr. Filipe Moura Ribeiro, orientador de Lana, os resultados são motivo de orgulho e inspiração. “Essa transição direta da graduação para o doutorado mostra que dedicação e esforço – individual e coletivo – sempre geram frutos. É um orgulho para a instituição e um exemplo para outros estudantes”, declara.
As trajetórias de Lana Passos Milhomem e Amanda Fonseca da Costa mostram como o talento e a determinação de jovens mulheres estão redefinindo os espaços da ciência. Suas histórias reforçam que, quando há oportunidade, apoio e reconhecimento, a presença feminina transforma não apenas a pesquisa, mas também o futuro da inovação no país.