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1 de julho de 2026

Julho Dourado: A importância da vacinação de cães e gatos na prevenção de zoonoses

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Campanha chama atenção para cuidados preventivos com animais domésticos e em situação de rua, medida essencial para proteger pets, tutores e a saúde

Com a chegada do Julho Dourado, mês dedicado à promoção da saúde animal e à prevenção de zoonoses, responsáveis legais de cães e gatos devem redobrar a atenção aos cuidados preventivos com os pets. A campanha, instituída nacionalmente pela Lei nº 15.322/2026, chama atenção para temas como vacinação, controle de parasitas, acompanhamento veterinário, adoção responsável e combate ao abandono.

Embora a data tenha sido oficializada recentemente, o alerta é antigo: cuidar da saúde dos animais também é uma forma de proteger a saúde das pessoas. As zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos e, em muitos casos, podem ser prevenidas com medidas simples, como vacinação em dia, higiene adequada, controle de pulgas e carrapatos e acompanhamento regular com médico-veterinário.

De acordo com Atílio Sersun Calefi, docente de Medicina Veterinária da Universidade Cruzeiro do Sul, a vacinação é uma das principais ferramentas de prevenção. “Quando falamos em vacinação animal, não estamos falando apenas da proteção individual do cão ou do gato. Estamos falando também de uma barreira coletiva contra a circulação de agentes infecciosos, alguns deles com impacto direto na saúde pública”, explica.

Entre as vacinas mais importantes da rotina de cães e gatos está a antirrábica. A raiva é uma zoonose grave, sem cura e com alta letalidade, o que torna a imunização indispensável mesmo para animais que vivem dentro de casa. Segundo o especialista, a percepção de que pets domiciliados não estão expostos a riscos pode levar muitos tutores a negligenciarem a vacinação.

“Mesmo animais que não saem com frequência podem ter contato eventual com outros animais, sofrer fugas, acidentes ou até ter contato com morcegos. Por isso, a vacinação contra a raiva deve ser mantida em dia em cães e gatos, independentemente do estilo de vida do animal”, afirma Calefi.

Além da vacina contra a raiva, cães devem receber vacinas múltiplas, como V8, V9 ou V10, de acordo com a indicação do médico-veterinário. Esses imunizantes ajudam a prevenir doenças infecciosas importantes, como cinomose, parvovirose, adenovirose e leptospirose, entre outras. Algumas dessas enfermidades podem causar quadros graves, sequelas permanentes ou até levar o animal à morte.

A leptospirose merece atenção especial por também representar risco aos seres humanos. A doença pode estar associada ao contato com urina de animais infectados ou ambientes contaminados, especialmente em locais com presença de roedores, enchentes, acúmulo de lixo ou saneamento inadequado.

No caso dos gatos, a vacinação também deve fazer parte da rotina preventiva. As vacinas múltiplas felinas, como V3, V4 ou V5, podem proteger contra doenças como panleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte. A vacina contra a leucemia felina, conhecida como FeLV, também pode ser indicada conforme o perfil do animal, especialmente em gatos com acesso à rua, contato com outros felinos ou histórico de saúde desconhecido.

Segundo Calefi, o protocolo vacinal deve sempre ser individualizado. “Não existe um calendário único que sirva para todos os animais. O médico-veterinário precisa avaliar idade, estado de saúde, ambiente em que o pet vive, histórico vacinal, contato com outros animais e riscos da região. A vacinação deve ser feita com orientação profissional”, destaca.

O docente também alerta que vacinas aplicadas sem acompanhamento adequado, adquiridas em locais irregulares ou armazenadas de forma incorreta podem não oferecer a proteção esperada. Por isso, o tutor que perdeu o controle da carteira vacinal não deve tentar resolver a situação por conta própria.

“Mesmo quando há atraso, é possível corrigir. O mais importante é procurar atendimento veterinário, revisar a carteira, avaliar se o animal está saudável e restabelecer o protocolo de forma segura. O risco maior é adiar esse cuidado indefinidamente”, orienta.

Para além da vacinação, o Julho Dourado também reforça a importância da guarda responsável. Isso inclui consultas periódicas, vermifugação, controle de pulgas e carrapatos, higiene do ambiente, recolhimento adequado das fezes, castração, identificação dos animais e prevenção ao abandono.

“Prevenir zoonoses não depende de uma única medida. É um conjunto de cuidados. Quando o tutor mantém a vacinação em dia, evita o abandono, busca orientação veterinária e respeita as necessidades do animal, ele contribui para uma convivência mais segura entre pets, pessoas e comunidade”, conclui Calefi.

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