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15 de agosto de 2025

Mais brasileiros acessam bancos digitais, mas crédito fácil eleva riscos de endividamento

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Com mais de 119 milhões de brasileiros utilizando serviços bancários online, especialista alerta para a importância da educação financeira.

A revolução digital transformou a forma como os brasileiros lidam com o dinheiro, tornando transações financeiras possíveis a poucos toques na tela. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE divulgada no início deste mês, mais de 119,6 milhões de pessoas acessaram bancos ou instituições financeiras pela internet em 2024 — um salto de 22,5 milhões desde 2022. O número representa 71,2% dos internautas do país e revela um nível inédito de inclusão financeira.

No entanto, junto com toda essa evolução, surgem também novos desafios e a necessidade de mais preparo. “A facilidade do crédito imediato, proporcionada pela digitalização, tem levado a um crescimento preocupante do consumo por impulso, especialmente entre usuários com pouca experiência para lidar com os impactos financeiros”, explica Wagner Pagliato, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Unicid. Segundo ele, erros comuns incluem a contratação precipitada de empréstimos, o uso frequente do cheque especial e o parcelamento excessivo de compras, quando o foco nas parcelas ofusca o custo total, inflacionado por juros e tarifas.

Para mitigar esses riscos, Pagliato recomenda uma pausa estratégica antes de qualquer contratação. “Essa pausa é fundamental para conter gastos desnecessários e evitar o acúmulo de dívidas”, orienta. Ele enfatiza a importância de analisar o Custo Efetivo Total (CET), as taxas de juros e os prazos antes de assumir um compromisso financeiro. “Somente com essas informações em mãos é possível saber se a operação é viável e segura dentro do orçamento familiar”, acrescenta.

O professor ressalta que a tecnologia também pode ser uma aliada, quando bem utilizada. Muitos aplicativos financeiros oferecem recursos para o controle orçamentário, como categorização automática de gastos, gráficos de despesas, alertas de vencimento e metas de poupança. “Quando usados de forma consciente, esses recursos ajudam a manter o orçamento equilibrado e a economizar de forma planejada”, afirma.

Endividamento iminente

Para quem já está endividado, a orientação é mapear todas as dívidas, priorizar as de juros mais altos e buscar renegociação ou linhas de crédito mais baratas — processos que, muitas vezes, podem ser realizados nos próprios aplicativos. “A digitalização representa uma oportunidade única de inclusão financeira e de simplificação das operações do dia a dia. Mas, para que seja realmente positiva e sustentável, é preciso desenvolver conhecimento e disciplina. O poder da inovação só se concretiza quando aliado à educação financeira e ao planejamento”, finaliza Pagliato.

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