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Universidade Positivo | 7 de janeiro de 2021

Estudante desenvolve marca de roupas para crianças com autismo

Inclusão social é oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todos. Com esse propósito, a estudante de Design de Moda Júlia Nycolack criou a Tico&Tica, marca de roupas que atende às necessidades de crianças com autismo. O projeto foi resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Universidade Positivo (UP).

Desde que entrou na universidade, Júlia tinha como objetivo criar peças de roupas voltadas ao público infantil. A inspiração para o TCC foi o filho, Arthur Nycolack, de 2 anos, diagnosticado com Transtorno de Espectro Autista (TEA).

De acordo com Júlia, ele apresentou também Transtorno do Processamento Sensorial (TPS), muito comum em autistas e que demanda adaptações para a vivência cotidiana. “Fiquei afastada da faculdade por um ano e acabei mergulhando no mundo dele. O sistema tátil dos autistas tem muita alteração e, convivendo nas clínicas com ele e outras crianças, percebi uma necessidade”, explica.

O TPS é um distúrbio que altera a forma como o cérebro recebe, integra e prepara informações, causando intolerância a determinadas texturas de roupas, por exemplo.

Sobre o projeto

Julia explica que o projeto aborda, majoritariamente, o sistema tátil, responsável pelo toque, área de abordagem ligada diretamente à moda. “Quando entendi o TPS, tive a ideia de criar o projeto. A alta prevalência do diagnóstico de TEA, de um para cada 54 pessoas – o que representa mais de dois milhões de autistas apenas no Brasil e, desses, pelo menos 78% possuem TPS – me incentivou a pesquisar mais. É assustador que esse nicho ainda não seja atendido pelo mercado”, completa.

A coleção de roupas infantis criada por Júlia apresenta características que outras marcas não atendem: os tops apresentam soluções para facilitar a passagem da cabeça sem tanto atrito, por exemplo. De acordo com uma pesquisa feita pela estudante, 90% dos autistas têm volume cerebral maior do que a média das crianças entre dois e quatro anos de idade e 37% dessas crianças apresentam macrocefalia.

Outra característica presente nas peças é a facilitação da mobilidade. “As roupas precisam de três qualidades fundamentais: técnica, para que sejam aptas a uma função desejada; ergonomia para desenvolver uma peça de uso, dando maior versatilidade e conforto; e, por último, a estética, para estimular o prazer em usar” explica.

Mais diferenciais

Os modelos do trabalho da estudante ainda possuem como diferencial a ausência de etiquetas, internas ou externas. De acordo com ela, a estamparia não possui toque, ou seja, ao passar a mão na estampa, não é possível senti-la. A escolha foi por tecidos macios, quentes e frios, levando sempre em consideração o uso.

“Não se espera que todas as crianças aceitem as peças, elas foram projetadas para abranger os graus de limitação e, consequentemente, sua aceitação”, conclui. Apesar das peças terem sido desenvolvidas por conta do TCC, a estudante pretende criar novas opções e lançar a marca Tico&Tica no mercado.

8º Prêmio Brasil de Moda Inclusiva

O TCC de Júlia foi um dos 20 projetos selecionados para o desfile final do Prêmio Brasil de Moda Inclusiva, evento organizado pelo instituto social Nação Brasil, que acontece no dia 26 de março de 2021, em Florianópolis, onde a estudante terá a oportunidade de apresentar a coleção.

“Sempre quis fazer uma moda que pudesse ajudar a transformar o lugar que vivemos, e agora posso fazer isso e ainda proporcionar mais bem-estar para as crianças”, afirma. O evento com desfile e premiação motiva estudantes de Artes e Moda do Sul do País a criar e produzir peças adaptadas para pessoas com deficiência.

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