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8 de agosto de 2022

Mau hálito pode afetar o comportamento social

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*Juliane Butze, professora do curso de Odontologia da FSG

Embora a halitose ainda não seja considerada uma nova área nas ciências da saúde, ainda com poucos pesquisadores dedicados a estudar este campo, o tratamento do mau hálito já é uma realidade possível. Existem, inclusive, associações, nacionais e internacionais, que têm como finalidade promover e aprimorar estudos sobre o assunto. Diversas causas estão associadas ao mau hálito, no entanto 90% delas têm origem na boca. Por essa razão o seu tratamento é, em grande parte, responsabilidade do cirurgião-dentista.

Aproximadamente 40% da população brasileira possui mau hálito, e estima-se que um terço da população mundial tenha halitose. Muito embora a halitose não seja uma doença, ela costuma provocar mudanças no padrão comportamental do indivíduo que acabam por afetar suas relações interpessoais. O mau odor bucal se torna um importante fator nas relações sociais, podendo originar preocupação não só em relação ao aspecto de saúde, mas também a alterações psicológicas que conduzem ao isolamento social e pessoal.

O mau odor é produzido a partir de pequenas moléculas voláteis (odorivetores), que se encontram dispersas no ar da boca ou nariz, capazes de sensibilizar as células receptoras do olfato, percebido como um odor ofensivo ao olfato humano. As proteínas e peptídeos presentes na saliva, fluido crevicular gengival e sangue são degradadas em aminoácidos que contém enxofre, gerando compostos mau cheirosos, denominados Compostos Sulfurados Voláteis (CSV).

Entre os CSV produzidos, os principais envolvidos na halitose são: Sulfeto de Hidrogênio (H2S), Metilmercaptana (CH3SH) e Dimetilsulfeto (CH3) 2S). O sulfeto de hidrogênio está mais associado à halitose fisiológica. A Metilmercaptana está relacionada ao mau odor gerado pela doença periodontal. E o Dimetilsulfeto está relacionado com casos de desordem hepática, sendo o menos envolvido no mau hálito.

Um dos desafios da halitose é o seu diagnóstico por meio de um método seguro, sensível e específico. Existem diversas formas de detecção da halitose, porém alguns métodos não identificam a halitose em si, e sim os componentes químicos dela.

Em determinadas condições, qualquer pessoa pode vir a ter mau hálito. Existem situações em que é normal a pessoa ter um pouco de halitose, não sendo necessário buscar um tratamento para isso. Uma má higiene bucal pode ser responsável por cáries, doença periodontal e saburra lingual, que causam o mau hálito. A falta de escovação associada a uma alimentação rica em açúcares são as principais responsáveis pelo aparecimento de cáries. A cárie está relacionada à desmineralização do dente, que ocorre quando tipos específicos de bactérias produzem ácidos que destroem o esmalte do dente e a camada do dente logo abaixo dela, a dentina. Por isso, a escovação correta é o primeiro grande passo para combater o mau hálito.

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