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8 de setembro de 2025
Nanotecnologia brasileira aposta em soluções sustentáveis para impulsionar a agricultura
Pesquisadores da Unifran desenvolvem micro e nanogéis contendo ferro que aceleram a germinação e fortalecem o crescimento de plantas
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Franca (Unifran), com financiamento da FAPESP, está abrindo caminho para uma revolução na agricultura. O projeto, iniciado em 2022 e com duração prevista até 2027, investiga o uso de micro e nanogéis biocompatíveis — partículas poliméricas muito pequenas observáveis apenas no microscópio — para o tratamento de sementes. Os primeiros resultados indicam que a tecnologia pode aumentar em média 90% o crescimento inicial de plantas (tamanho do caule), além de melhorar a eficiência de germinação.
A inovação utiliza água como solvente e partículas capazes de reter grande quantidade de água, facilitando a entrada de nutrientes nas sementes. Testes já realizados com pepino e soja mostram que o tratamento promove raízes mais longas e plantas mais vigorosas nos primeiros 20 a 30 dias de desenvolvimento.
Segundo o coordenador do projeto, professor Eduardo Ferreira Molina, o impacto da tecnologia pode ser decisivo para o futuro da produção de alimentos. “Estudos indicam que, até 2050, a produção agrícola atual não será suficiente para atender à demanda global. Nossa pesquisa busca aumentar a eficiência da colheita de grãos e frutos, produzindo mais em áreas já cultivadas, sem ampliar o uso de recursos naturais”, detalha.
Além do ganho de produtividade, os testes de sustentabilidade mostram que o material não apresenta toxicidade para o meio ambiente. Ensaios com minhocas, peixe-zebra e raízes de cebola, por exemplo, comprovaram que o produto não causa mortalidade nem alterações celulares, podendo ser aplicado diretamente em sementes ou no solo sem riscos ambientais.
Outro diferencial é o potencial de aplicação em diferentes culturas agrícolas. Embora os estudos atuais estejam focados na soja — devido à sua relevância econômica para Brasil e Estados Unidos — a tecnologia pode ser adaptada para milho, tomate e outras espécies.
A pesquisa também avalia, para o futuro, o uso dos nanogéis em solos com estresse hídrico ou alta salinidade, ajudando a manter a hidratação por mais tempo. Há ainda a perspectiva de que o sistema possa reduzir a quantidade de agrotóxicos necessária, ao permitir que pequenas doses sejam entregues de forma mais eficiente às plantas. Para Bruno Fico, doutorando e integrante do projeto, a experiência representa um avanço científico com impacto social.
“Participar dessa pesquisa é contribuir para uma agricultura mais sustentável e produtiva. É gratificante ver que a ciência pode oferecer soluções reais para um desafio global, como a segurança alimentar”, detalha.
Com baixo custo de produção e possibilidade de fabricação em escala industrial, a tecnologia desenvolvida na Unifran tem potencial para, em alguns anos, chegar a testes de campo, beneficiando produtores e consumidores.
Para mais detalhes sobre o trabalho ver o artigo publicado em : https://doi.org/10.1021/acsomega.4c11661