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8 de julho de 2026
Nem toda roupa de frio aquece da mesma forma: especialista explica como escolher os tecidos ideais para enfrentar o inverno
Composição do tecido e construção da peça fazem mais diferença do que apenas a espessura
Quando o frio chega, é comum associar roupas volumosas à proteção contra as baixas temperaturas. No entanto, o conforto térmico depende muito mais das características dos tecidos e da forma como as peças são confeccionadas do que apenas da espessura do material.
Segundo a professora Dyana Barreto, do curso de Design de Moda do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), a capacidade de uma roupa aquecer está diretamente relacionada à forma como ela retém o calor produzido pelo próprio corpo e controla a troca de calor e umidade com o ambiente. “Fatores como a composição da fibra, a estrutura do tecido, a espessura e a presença de ar entre as fibras fazem toda a diferença”, explica.
As fibras naturais, como a lã, continuam entre as mais eficientes para os dias frios devido à capacidade de criar uma camada de ar que reduz a perda de calor. O tricô também oferece bom desempenho térmico, dependendo da fibra utilizada e da construção da malha. Já o algodão proporciona conforto e respirabilidade, mas, isoladamente, não costuma ser a melhor opção para temperaturas mais baixas.
“As fibras sintéticas evoluíram muito nos últimos anos e hoje existem materiais tecnológicos capazes de oferecer ótimo desempenho térmico, secagem rápida, leveza e um custo mais acessível. Não existe uma opção universalmente melhor. A escolha depende da necessidade de uso, do clima e da proposta da peça”, destaca a docente.
A comparação entre fibras naturais e sintéticas já não é tão simples quanto no passado. Enquanto os naturais oferecem excelente respirabilidade e toque agradável, as sintéticas apresentam vantagens importantes, como menor absorção de água, maior durabilidade e possibilidade de incorporar tecnologias específicas para proteção contra o vento, chuva e frio.
Em vez de apostar em apenas uma peça pesada, a professora recomenda o sistema de camadas, estratégia bastante utilizada em países de clima frio e que também pode ser adaptada ao inverno brasileiro.
A primeira camada deve ajudar a controlar a umidade do corpo; a segunda é responsável pelo isolamento térmico, utilizando materiais como lã ou fleece; e a camada externa protege contra o vento e chuva quando necessário. “O sistema de camadas permite adaptar a roupa conforme a temperatura e o nível de atividade física. Além da funcionalidade, ele também favorece o estilo, já que possibilita criar diferentes combinações de texturas, cores e proporções sem renunciar ao conforto”, orienta.
Escolha deve considerar o clima da região
Para a especialista, outro aspecto importante é levar em consideração as características do inverno brasileiro, que apresenta diferenças significativas entre as regiões.
“No Brasil, nem sempre faz sentido investir em peças extremamente pesadas. Vale observar a composição do tecido, a qualidade da confecção, o acabamento das costuras e a versatilidade da peça. Roupas que permitem o uso em camadas costumam ser mais funcionais para o nosso clima”, ressalta. Por fim, ela também recomenda atenção aos detalhes de design, que influenciam diretamente a proteção térmica. Modelagens que reduzem a entrada de ar, golas mais altas, capuzes, punhos ajustados e forros confortáveis ajudam a conservar o calor corporal. Ao mesmo tempo, é importante evitar peças excessivamente justas e confeccionadas com materiais de baixa respirabilidade, já que o acúmulo de umidade pode reduzir o conforto e favorecer odores.