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26 de novembro de 2018
No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma). A informação é do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA, que prevê mais de 58 mil diagnósticos da doença no país em 2018. Essa preocupante realidade chama a atenção quanto à necessidade de prevenção. De acordo com o médico urologista Augusto Aragão, que também é professor do curso de Medicina do Unipê, o diagnóstico precoce da doença pode significar uma chance de cura acima de 90%.
O que é a próstata?
A próstata é uma glândula presente no homem e que é responsável pela produção de parte do líquido presente no esperma e por parte da continência urinária. Localizada abaixo da bexiga e envolvendo a uretra prostática, a próstata tem o tamanho aproximado de uma castanha.
“A partir dos 40 anos de idade a próstata de todos os homens começa a crescer. Na maioria, o crescimento não causa nada, sendo parte do envelhecimento masculino. Em alguns, a próstata começa a causar sintomas para armazenar e esvaziar a urina, sintomas de doença benigna, chamada de Hiperplasia Prostática Benigna – HPB. Em poucos homens, principalmente a partir da sexta década de vida, surge o Câncer de Próstata – CaP”, explicou o médico urologista.
Saiba mais sobre o Câncer de Próstata
Apesar de maligno e agressivo, o câncer de próstata não causa queixas em sua fase inicial, segundo o médico. “Daí a necessidade de todo homem consultar o urologista a partir da quarta década de vida, quando há fatores de risco, e especialmente a partir da quinta década para os homens em geral”, alertou.
Na fase avançada, segundo Augusto Aragão, o CaP vai causar sintomas urinários semelhantes ao da HPB, em conjunto com dores ósseas, presença de sangue na urina ou no esperma. “Motivo pelo qual todo homem deve procurar o urologista ao início dos sintomas, fase quando tanto o CaP quanto a HPB serão curáveis. Uma coisa importante é que a HPB não se transforma em câncer, pois se tratam de doenças distintas”, informou.
O câncer de próstata tem uma relação com a hereditariedade e maior incidência em homens com casos de CaP na família. Quanto maior o número de casos, maior o risco de câncer, que se manifesta de maneira mais agressiva e mais precoce. “Os homens de raça negra possuem um risco maior de CaP relacionados a características genéticas. Também há relação com o consumo exagerado de carnes vermelhas e com a obesidade”, complementou Aragão.
Mitos e importância do exame de próstata
Por não apresentar sintomas e por ser curável na fase inicial, todos os homens com mais de 50 anos, ou 45 anos naqueles que possuem fatores de risco, devem procurar um urologista uma vez ao ano. “Como é uma doença de evolução lenta, não há necessidade de consultas com intervalos menores, a não ser quando já está em tratamento para o próprio câncer ou para a HPB”, detalhou Augusto Aragão.
O médico explicou alguns detalhes a respeito da rotina médica de visita ao urologista. “Para a rotina, é necessária a consulta, solicitação do exame de sangue chamado PSA e o exame físico que pode ou não incluir o exame de toque retal da próstata, de acordo com alguns critérios encontrados durante a consulta. O toque retal apresenta um mito muito grande, mas se trata de um exame simples, rápido e indolor, que auxilia no diagnóstico precoce. O diagnóstico definitivo é realizado através de uma biopsia de próstata, que só é realizado quando há alterações no toque ou no PSA”, disse.
Diagnóstico e tratamentos
Quando diagnosticado na fase inicial e com características pouco agressivas, alguns cânceres são apenas acompanhados regularmente. Nos outros, o paciente em conjunto com o médico, decidem quanto a melhor conduta, que pode ser cirúrgica, por via abdominal, laparoscópica ou robótica, ou também com a radioterapia.
“Todos alcançam o mesmo índice de cura. Da mesma maneira, todos podem cursar com sequelas em maior ou menor grau, sendo as mais importantes a incontinência urinária e a disfunção erétil. O mais importante é que na fase inicial o câncer de próstata tem um índice alto de cura, e, quando não curável, existem diversas opções de controle da doença, que preservam a qualidade de vida destes homens”, comentou.
“Independente disso, todo homem deve procurar um urologista para realizar avaliações de rotina, visando cuidar do seu aparelho genital, da sua vida sexual e urinária, pois na fase inicial, fala sobre cura e não só sobre controle das doenças do aparelho sexual e urinário masculino”, finalizou.
