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16 de dezembro de 2020
Penso que nossa casa tem, para cada um de nós, extremo significado. Neste momento que estamos vivendo por conta da pandemia do Coronavírus, esse significado se sobressai não somente por ser ela o nosso lar e, por muitas vezes, nosso local de trabalho, mas também no sentido de refúgio, o lugar que nos mantêm em maior segurança ante uma situação de crise sanitária. E recebe ainda maior importância quando percebemos que a maior parte da população não tem acesso a direitos básicos, assegurados pela Constituição, dados por uma moradia digna e por serviços de infraestrutura.
Essas questões relacionam-se ao longo da história diretamente ao campo da arquitetura e do urbanismo, e estão entre os seus maiores desafios. Isso nos leva a entender que, na realidade, nós moramos em casas, mas vivemos, sobretudo, nas cidades, em grandes áreas urbanas, que têm crescido ano após ano. E pensar as cidades é sempre algo desafiador, pois requer que se antecipem cenários. Porém, esse planejamento nem sempre consegue acompanhar o ritmo desenfreado deste crescimento.
Em diversos momentos da história da evolução das cidades, grandes intervenções foram propostas, dada a diversidade de problemas urbanos surgidos também em razão de problemas sociais, justificadas então por questões de epidemias e por meios urbanos em condições insalubres. Não no pós-pandemia, mas já a partir deste momento, essa pauta deve então ser considerada, inclusive pelas questões de saúde pública.
No entanto, o que parece evidente é que precisamos pensar cada vez mais em buscar cidades mais equitativas em meio ao processo de urbanização, como meio de inclusão de boa parte da parcela da população hoje às margens da sociedade. É preciso chamar a atenção para os aspectos sociais, ambientais e econômicos que norteiam como princípios o desenvolvimento de cidades mais sustentáveis.
Profa. Daniela Chiarello Fastofski, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)