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2 de dezembro de 2020

O que é a Geologia? Especialista explica a importância da atuação profissional e qual a contribuição da área para o desenvolvimento de uma localidade

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Entre as principais atribuições, o profissional estuda os bens minerais e aquíferos para a viabilidade de empreendimentos e planejamento urbano;

O geólogo e docente do curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário N. Senhora do Patrocínio (Ceunsp), Me. Rodrigo Artur Perino Salvetti explica quais são as atividades aplicadas e como o profissional adota as medidas preventivas e orienta a ocupação de determinadas áreas

Surgida a partir do século 18 como uma variante das Ciênicas Naturais, a Geologia* é considerada uma ciência relativamente nova, dedicada a estudar o planeta Terra como um todo, desde a sua origem, estrutura e a composição, além dos processos que originaram o seu estado atual, avaliando, inclusive, fósseis – restos de animais e de plantas – em rochas.

O professor do curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário N. Senhora do Patrocínio (Ceunsp), instituição que integra a Cruzeiro do Sul Educacional, explica que as atividades executadas se fazem presente no cotidiano de uma sociedade, e em muitas áreas profissionais. 

”Como ciência multidisciplinar por natureza, a geologia está presente na exploração mineral e de combustíveis, garantindo os minerais, metais e petróleo que utilizamos; na engenharia civil e na arquitetura, fornecendo estrutura para as obras, influenciando nas fundações, e fornecendo matéria prima de revestimento e isolamento acústico e térmico; na engenharia ambiental, na agricultura e na veterinária, condicionando os aquíferos e nutrientes no solo, impactando no ciclo das águas e dos compostos químicos que plantas e animais absorvem; nas ciências biológicas e geográficas, contribuindo para o estudo paleontológico, climático e evolutivo de nosso planeta. Enfim, tudo tem alguma influência da geologia”, esclarece o especialista.

O geólogo argumenta que, a partir do estudo de bens minerais e aquíferos, por exemplo, é que são viabilizados muito dos estudos de planejamento urbano. Enquanto ciência, a área preocupa-se em analisar a composição e evolução da Terra em suas mais variadas formas, e o estudo das rochas e do relevo permite a compreensão dos territórios, sejam eles municipais, estaduais e federais.

“Como se deu o desenvolvimento do planeta, e quais suas características físicas, químicas e biológicas. Isso é muito importante, por exemplo, para a compreensão de como a vida evoluiu, como o clima da Terra mudou ao longo do tempo geológico, e como as paisagens mudam com o tempo. Parece uma questão meramente científica, mas que possui enorme utilidade prática. Conhecer a evolução de uma área do planeta permite-nos saber seus potenciais econômicos, minerais e hidráulicos. Permite-nos entender como a paisagem se modifica com a ação do tempo, do clima, e dos processos antropogênicos. A partir desses conjuntos de informações, é possível avaliar áreas com risco de enchentes, assoreamento e deslizamentos, por exemplo, de modo a se adotar medidas preventivas e orientativas quanto à ocupação e uso dessas áreas, seja a nível municipal, regional, estadual, Brasil e daí por adiante”, explica Salvetti, docente do Ceunsp.

DESENVOLVIMENTO URBANO

Salvetti enfatiza que conhecer o contexto geológico de uma região é imprescindível para o desenvolvimento urbano.

“A ocupação de áreas elevadas pode acarretar em movimentações de terra e escorregamentos, que podem ser trágicos. Além disso, o entendimento das rochas de cada região do município impacta no tamanho e características das construções que podem ser feitas nesses locais, influenciando diretamente o plano diretor do município. Por exemplo, prédios mais altos exigem fundações mais profundas e solos mais resistentes. A depender das características geológicas do local, essas condições podem nem sempre ser atingidas, forçando a limitação da altura dos prédios ou a adoção de técnicas de construção mais complexas e dispendiosas”, destaca.

ENCHENTES NA REGIÃO

Na região de Salto, Itu e Sorocaba, onde as enchentes costumam atingir boa parte dos municípios nos períodos de chuva intensa, o geólogo argumenta que as ocupações das áreas de várzea dos rios são problemas crônicos em todo o mundo. Segundo o especialista, áreas próximas aos rios, por exemplo, precisam ser avaliadas quanto à dinâmica dos corpos d’água, evitando enchentes.

“Historicamente, o homem procura as margens do rio para instalar a sua cidade, cultivar as suas plantações. No mundo moderno, as enchentes acabam afetando grande número de pessoas quer pela ocupação das áreas de moradia, quanto pelos transtornos causados ao trânsito de veículos. O que precisa ser compreendido é que as enchentes fazem parte da dinâmica natural dos rios, e que é o homem que está equivocado ao ocupar as áreas de várzea. Assim, os planos diretores e de desenvolvimento regional devem considerar as áreas próximas aos rios como sensíveis, impedindo sua ocupação”, argumenta.

O geólogo do Ceunsp aponta ainda que outro problema grave diz respeito ao lançamento de esgotos e lixos nos rios.

“A conscientização das pessoas nesse sentido é a mais importante política pública a ser aplicada. Faltam políticas e ações de educação ambiental em nossa região, infelizmente. Quanto aos depósitos de lixo, os conhecimentos geológicos podem ser utilizados para escolha dos locais de implantação, que devem ser apropriados conforme as normas aplicáveis, de modo a evitar, principalmente, a dispersão de poluentes no ar (por meio do enterramento dos resíduos) e a contaminação dos lençóis freáticos”, avalia.

RIQUEZAS REGIONAIS

“Na região de Salto e Itu, existem muitas ações no sentido de identificar as áreas com potencial de mineração. Itu está entre os municípios com as maiores produções de cerâmica do País. Isso se dá graças ao contexto de formação das rochas da região, originadas em ambiente marinho há mais de 200 milhões de anos. Em Salto, a produção de blocos de rochas ornamentais e paralelepípedos foi, por muito tempo, uma das principais atividades mineiras. Hoje com menor intensidade, os paralelepípedos podem ser encontrados em todos os locais, inclusive na fundação dos prédios que compõem o campus V do Ceunsp.
Em relação ás questões ambientais, temos ainda as dinâmicas fluviais associadas ao Rio Tietê, que influenciam toda a região”, exemplifica.

Para mais informações sobre o curso de Ciências Biológicas do Ceunsp, acesse: https://www.ceunsp.edu.br/graduacao/ciencias-biologicas/

*O Dia do Geólogo é celebrado em 30 de maio em homenagem a aprovação do Projeto de Lei nº 2028/60, de 1962, sendo criada a Lei nº 4.076, que regulamenta a profissão.

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