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16 de dezembro de 2020

O que o mercado de trabalho aprende com a atual crise e o que esperar do cenário pós-pandemia?

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Especialistas destacam a parceria entre funcionários e empresas, o uso cada vez mais acentuado da tecnologia e a importância de novas competências

Um estudo apresentado recentemente no Fórum Econômico Mundial destacou competências que os profissionais devem instaurar em seus perfis durante o ano de 2020, e agora devido a pandemia, especialistas em mercado de trabalho e recursos humanos debatem a relevância de colocar tais habilidades em prática.

Em linha com esse raciocínio, os professores do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) e da Faculdade Cesuca, ambasinstituições que integram a Cruzeiro do Sul Educacional, relatam que osmomentos de crise geram revisão de práticas, valores, caráter e posturas que vão muito além de metas e objetivos, criando oportunidades para estabelecer um modelo de gestão forte e eficiente, baseado na cooperação e solidariedade entre os membros da sociedade como um todo.

Para o professor Dr. Evaldo Reis, do curso de Tecnologia em RH e Administração da Cesuca, o momento para a gestão de pessoas no período pós-pandemia exigirá maior sensibilidade, revisão de metas e inteligência para reconhecer a necessidade das mudanças. “Haverá uma mistura de sentimentos nos ambientes de trabalho, medo pela previsibilidade da economia, especialmente pelos indicadores de desemprego, insegurança, posturas defensivas e de conflito. Mas o desejo das pessoas, na minha opinião, será de convivência pacífica, trabalho em parceria e com a percepção de acolhimento por parte das empresas”, diz o acadêmico.

O especialista destaca, ainda, que o relacionamento entre empresa e colaborador foi afetado por conta do distanciamento social, mas que, sem dúvidas, a tecnologia contribuiu para amenizar esse problema com aplicativos que foram incorporados ao dia a dia da empresa, além de outras ferramentas que estão sendo utilizadas para aperfeiçoar a comunicação em tempo real.

Já para o docente Sandson Azevedo, Coordenador da Pós-Graduação em Gestão de Pessoas 4.0 e do curso de Gestão de RH do UDF, gerir grupos de profissionais poderá  ser mais ágil e acontecer de forma mais conectada aos meios digitais. “As situações presenciais serão valorizadas também. O profissional de RH pode ser a escuta da organização, atuando como um mediador entre o funcionário e os objetivos organizacionais, para identificar as principais necessidades”.

As mudanças com a pandemia

O professor Evaldo, da Cesuca, leva também em consideração a perspectiva jurídica, desde queda do consumo e das receitas até as medidas de flexibilização dos contratos de trabalho na tentativa de harmonizar ambos os lados, empregado e empregador.

“É o caso das MP´s 927 e 936 editadas em função da pandemia, que possibilitaram que as empresas conseguissem reduzir jornadas e cortar salários por até 90 dias. Neste aspecto, vejo mudanças no RH e uma adaptação rápida não só no pragmatismo do ordenamento jurídico, mas uma conversa franca e didática, um trade-off, mas que num segundo momento, todos os envolvidos possam se recuperar”, analisa o docente.

De forma semelhante, seu colega e docente Sandson, do UDF, analisa que os processos e profissionais precisaram se reinventar rapidamente. “O trabalho em equipe passou a ser um desafio ainda maior e o profissional passou a exercer um papel ainda mais de protagonista em apoiar os gestores de como conduzir as equipes de maneira ágil para responder os desafios”, pontua o especialista.

Tendências para o RH

Questionado se vislumbra mudanças profundas nas culturas das empresas, o professor Reis descarta a necessidade, mas reforça que a rotina tradicional deva voltar ainda este ano, porém de forma gradual. “Claro que haverá mudança nas práticas do Recursos Humanos, como uso mais intenso de tecnologias, mas não necessariamente uma mudança radical e profunda nos valores da cultura. O treinamento é um forte aliado, por exemplo, mesmo que o momento seja de diminuição de gastos,  é importante investir, pois ele retorna em forma de benefício”.

Para Azevedo, do UDF, há a tendência de que alguns pontos se estabeleçam definitivamente no sistema home office e de que as boas práticas adotadas no período perdurarão como soluções rotineiras.

“Alguns relatos de empresas e CEO’s indicam que as prioridades e qualidades a serem valorizadas serão outras, as Soft Skills deixam de ser tendência e passam a ser uma realidade ainda mais presente nas organizações”, prevê o docente.

Na avaliação de Sandson, o Recursos Humanos deve, ainda, apoiar os colaboradores e reavaliar a atuação. Também segundo o professor, se requalificar para o mercado se torna fundamental para compreender quais são as competências que o mercado vai exigir daqui para frente.

 

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