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21 de agosto de 2025

O Rio Gravataí e a Ciência a serviço da compreensão ambiental

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*Coordenadora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Cesuca, Gabriela Zimmermann Prado Rodrigues

*Coordenadora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Cesuca, Gabriela Zimmermann Prado Rodrigues

O Rio Gravataí, um dos cursos d’água mais emblemáticos do Rio Grande do Sul, tem sido objeto de atenção e preocupação há anos. Sua complexidade ambiental, moldada por fatores naturais e pela intensa atividade humana em sua bacia, exige um olhar científico aprofundado e contínuo. É com esse propósito que nossa equipe de pesquisa se dedicou ao estudo “Análises Físico-Químicas, Microbiológicas e Ecotoxicológicas da Água do Rio Gravataí – RS“, apresentado recentemente no IV Congresso Latino-americano de Toxicologia Clínico-laboratorial (TOXILATIN).

Nosso trabalho buscou desvendar as nuances da qualidade da água do rio, desde sua nascente em Viamão (Ponto 1) até a região de transição entre Porto Alegre e Canoas (Ponto 2), uma área fortemente impactada pela atividade industrial e urbana. As análises físico-químicas iniciais já nos trouxeram informações relevantes: altos níveis de cobre no Ponto 1; e a presença de bisfenol A e estradiol no Ponto 2, compostos conhecidos por seu potencial de desregulação endócrina, evidencia a influência direta das atividades humanas na composição da água.

Quanto as análises microbiológicas, identificamos cepas de Escherichia coli e Staphylococcus coagulase negativa com perfil multirresistente em ambos os pontos amostrais, incluindo resistência à vancomicina, um antimicrobiano utilizado no tratamento de doenças graves. Esses achados acendem um alerta importante: a resistência antimicrobiana é um desafio global de Saúde Única, que transcende fronteiras e afeta humanos, animais e o meio ambiente.

A presença de microrganismos resistentes a antimicrobianos no ambiente reforça a necessidade de práticas conscientes no uso desses medicamentos, tanto na medicina humana quanto veterinária. Esse é um tema de preocupação global, e nosso estudo contribui para mapear essa realidade no Rio Gravataí. Os dados preliminares destacam a importância de monitoramento contínuo e ações integradas para mitigar os impactos ambientais e proteger a saúde pública.

Desde 2012, o Rio Gravataí é reconhecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como um dos rios mais poluídos do Brasil. Esse status decorre de fatores como o lançamento de esgoto doméstico sem tratamento, o despejo de resíduos industriais, o uso excessivo de agrotóxicos e a urbanização desordenada. Embora as recentes inundações não sejam a causa primária dessa condição, elas podem agravar a situação, redistribuindo contaminantes e aumentando a pressão sobre o ecossistema.

Recentemente, em julho, realizamos uma nova coleta para investigar possíveis influências das inundações no Rio Grande do Sul. Uma coleta adicional em outubro permitirá acompanhar a evolução dos parâmetros analisados.

Este trabalho, portanto, se insere em um contexto de geração de conhecimento que visa auxiliar na tomada de decisões públicas, além de informar e engajar a população. É a partir da ciência que teremos dados confiáveis e consolidados para termos ferramentas para que contribuam para solucionar problemas de saúde e ambientais. Nossa pesquisa continuará suas análises ao longo de 2025.

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