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4 de novembro de 2025

Pesquisadores da Unifran identificam nova espécie de inseto transmissor da leishmaniose em gruta turística no interior paulista

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Estudo também mapeou vetores em outras cidades da região e aponta necessidade de reforço no monitoramento em saúde pública

Uma pesquisa coordenada pelo professor e pesquisador Rafael Paranhos de Mendonça, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Universidade de Franca (UNIFRAN), confirmou a descoberta de uma nova espécie de flebotomíneo — inseto popularmente conhecido como mosquito-palha e principal vetor da leishmaniose. O achado ocorreu durante um levantamento realizado na Gruta do Itambé, ponto turístico da cidade de Altinópolis (SP).

A espécie foi batizada como Lutzomyia itambé, em referência ao local da coleta, e já descrita em publicação científica. Embora ainda seja necessário comprovar se ela atua como transmissora da doença, o fato de pertencer ao mesmo gênero do Lutzomyia longipalpis — reconhecido vetor da leishmaniose visceral — acende um sinal de alerta. “É um marco para a ciência brasileira porque amplia o nosso entendimento sobre a diversidade de flebotomíneos no país e indica a necessidade de monitoramento constante em regiões turísticas e rurais”, explica Paranhos.

O estudo não se restringiu a Altinópolis. Entre 2021 e 2023, os pesquisadores também mapearam a presença de insetos vetores em Franca, Rifaina, Pedregulho e Delfinópolis (MG), todos destinos turísticos da região da Serra da Canastra. Em todas as cidades foram identificados mosquitos transmissores da leishmaniose visceral e tegumentar, o que representa o primeiro registro oficial da presença desses vetores em alguns desses municípios. De acordo com Paranhos, o trabalho começou após notificações de cães infectados em Franca. “Se os casos estavam surgindo, não fazia sentido supor que os animais haviam sido contaminados fora da região. A pesquisa confirmou: os vetores já estavam aqui, circulando”, afirma.

A leishmaniose é uma zoonose que atinge humanos e animais, transmitida pela picada do mosquito infectado. A forma visceral é a mais grave e pode levar ao óbito; já a tegumentar afeta pele e mucosas, podendo deixar sequelas permanentes. Estima-se que a doença cause mais de 50 mil mortes por ano no mundo. Nos cães, que atuam como reservatórios próximos ao ser humano, não há cura definitiva. Vacinas disponíveis no mercado foram retiradas por falta de comprovação de eficácia, restando apenas medidas preventivas como coleiras e repelentes específicos.

A descoberta da Lutzomyia itambé já mobilizou autoridades locais. Palestras de conscientização foram realizadas junto à Secretaria de Saúde de Altinópolis e materiais educativos foram distribuídos a visitantes da gruta. A pesquisa mostra que o problema não é sazonal: uma vez que os vetores se instalam, passam a fazer parte do ecossistema local. Outro ponto de atenção é a sazonalidade: durante o verão, período de calor e alta umidade, a população dos insetos cresce — aumentando, consequentemente, o risco de transmissão da doença. Entre as principais medidas preventivas estão o uso de repelentes, roupas compridas e calçados fechados em áreas de mata, além de cuidados com os animais de estimação, como coleiras repelentes e ambientes telados. Para os pesquisadores, a descoberta da Lutzomyia itambé representa um marco para a ciência brasileira e abre caminho para novas frentes de monitoramento e controle da doença na região.

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