UNIVERSIDADE POSITIVO
|
Notícias
26 de maio de 2026
Políticas urbanas e ciência se encontram em evento na UP
3º Congresso Cidades Brasileiras Sustentáveis aproxima governo, academia internacional e setor produtivo em três dias de debate
Como propiciar que o conhecimento científico seja incorporado às políticas públicas na área de meio ambiente? É essa a pergunta que orienta o 3º Congresso Cidades Brasileiras Sustentáveis, evento do Centro de Pesquisa da Universidade Positivo (CPUP) em parceria com a Universidade Positivo, que acontece nos dias 27, 28 e 29 de maio no campus Ecoville da UP, em Curitiba, em formato híbrido, com participação presencial e online, aberta e gratuita.
A expectativa de público é de cerca de 50 pesquisadores, entre doutores, doutorandos, mestrandos e estudantes de iniciação científica e tecnológica, com participantes de Curitiba, Londrina, São Paulo e Franca. A transmissão do evento ampliará o alcance junto à comunidade acadêmica. Também está prevista a presença de aproximadamente 20 representantes do governo, da sociedade civil organizada e do setor privado.
Na avaliação de Clarissa Wandscheer, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Gestão Ambiental da UP, “a pesquisa científica produz conhecimento qualificado sobre os desafios urbanos contemporâneos, como mudanças climáticas, desigualdades socioambientais e gestão territorial”. Ela complementa: “Mas o impacto da ciência depende da capacidade de transbordar os limites acadêmicos, dialogando com gestores públicos e com a sociedade.”
Os desafios que as cidades brasileiras enfrentam para avançar em sustentabilidade são múltiplos e se sobrepõem. Clarissa elenca os principais: a integração entre políticas setoriais, a adaptação climática, a tradução do conhecimento científico em prática, a gestão de dados urbanos e o envolvimento da população nas decisões que moldam o território.
“Como garantir espaços de participação que reflitam decisões mais inclusivas?” é uma das perguntas que a coordenadora coloca, e que o congresso pretende começar a responder. O evento propõe grupos de trabalho temáticos: de cadeias locais e circulares a soluções baseadas na natureza, do planejamento urbano integrado às chamadas cidades em disputa, espaços onde o discurso científico e a informação socioambiental confrontam interesses diversos.
Da sala de aula ao município
Uma das apostas mais concretas do congresso é o Hackathon voltado a Itaperuçu, município de 31 mil habitantes na Região Metropolitana de Curitiba. A iniciativa exemplifica o que Clarissa chama de integração entre teoria e prática: transformar produção acadêmica em soluções para desafios reais de uma cidade. As propostas estão sendo desenvolvidas por integrantes de programas de pós-graduação da UP, em visitas e escutas em Itaperuçu.
Nesse contexto, o evento também conta com a participação de representantes de Itaperuçu, da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e de servidores da área da saúde, além de integrantes do Governo do Estado — como a Superintendência Geral de Desenvolvimento Econômico (SGDES) e o setor de inovação — e representantes do município de Campo Largo.
Iniciativas que conectam pesquisa aplicada e gestão urbana são fundamentais, ressalta ela. “É isso que tentamos fazer na programação deste ano.” Essa diretriz também orienta os painéis que envolvem o diálogo direto entre poder público e setor privado, previstos para o segundo dia do evento, com foco em desenvolvimento sustentável e cidades resilientes.
A programação começa na quarta-feira (27), com credenciamento às 17h e abertura oficial às 17h30, no prédio da Pós-Graduação do campus Ecoville, em formato híbrido, com atividades presenciais e online. Representantes do Centro de Pesquisa da Universidade Positivo (CPUP), da reitoria da Universidade Positivo e do Conselho do Ecossistema de Inovação de Curitiba compõem a mesa de abertura.
Às 18h30, a conferência inaugural reúne Lavito Person Motta Bacarissa, secretário executivo da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), vinculada à Presidência da República. O tema “Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – O desafio da implementação – Reforma da Governança e Nova Cultura de Investimentos”, dialoga com questões do cenário atual, como uma síntese das tensões e das apostas que marcam o debate sobre o futuro das cidades brasileiras.
Redes que transformam
Para Clarissa, espaços como o 3º Congresso das Cidades Brasileiras Sustentáveis não se limitam a disseminar conhecimento. Eles constroem redes. “O congresso funciona como uma plataforma de tradução e circulação do conhecimento”, avalia. “Com uma pluralidade de atores, a integração entre teoria e prática e o alinhamento com as agendas globais dos ODS, o evento estimula inovação e favorece a coprodução de soluções urbanas”, conclui.
Em um país onde o planejamento urbano ainda enfrenta abismos entre intenção e execução, entre academia e gestão, entre dados e decisão, iniciativas como essa apontam para um caminho possível: o da cidade como laboratório vivo, onde ciência e política pública aprendem a conversar.
O 3º Congresso Cidades Brasileiras Sustentáveis está vinculado ao Centro de Pesquisa da Universidade Positivo, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão Ambiental, Mestrado em Direito e o Programa de Pós-Graduação Ensino de Ciências e Matemática.
A realização é fortalecida pelo apoio de instituições acadêmicas e organizações parceiras, entre elas a Fundação Araucária, Ecohub, a Pós-Graduação em Administração, o Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Franca, o Movimento ODS Santos 2030 e a Trashin.
O evento conta com oito grupos de trabalho (GTs), que abordam temas centrais para o futuro das cidades, entre eles o planejamento urbano integrado, a governança e a metropolização; as disputas em torno do discurso científico e da informação socioambiental; a economia sustentável e as cadeias locais e circulares; a resiliência urbana e as soluções baseadas na natureza; além de segurança pública, energias sustentáveis, financiamento do desenvolvimento e os desafios das cidades inteligentes.
A grade de conferencistas, debatedores e moderadores é composta por nomes do meio acadêmico, do setor público e do setor produtivo, destacando o caráter plural do evento. Entre os participantes confirmados estão:
Da Universidade Positivo: Clarissa Wandscheer, Alysson Diógenes, Rivail V. Andrade, Cíntia M.R. Oliveira e Marcelo Limont, além de Carlos L. Strapazzon e Anderson M. Santos.
Da academia internacional: Nuno Gonçalo Ferreira, do CIIMAR da Universidade do Porto (Portugal), e o Dr. Kay Bergamini, professor associado do Instituto de Estudios Urbanos y Territoriales da Universidad de Chile.
Do setor público: Lavito Bacarissa, Secretário-Executivo da Comissão Nacional para os ODS (CNODS), vinculado à Presidência da República; Thiago Marcelino, Diretor da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial do Estado do Paraná; Lelê Culpi, coordenadora do Núcleo de Municipalização dos ODS; e Thiago Teixeira, Secretário Municipal de Meio Ambiente de Campo Largo.
Do setor privado e da sociedade civil: Sérgio Finger, da TrashIn (Cleantech); Fabio Tatsubo, do Movimento Santos ODS; e Zuleica Goulart, coordenadora do Programa Cidades Sustentáveis.
Também participam o pesquisador e autor Emerson Medeiros, Gabriel Régnier e o Dr. Danilo Bulgo, além de Juliano Schimiguel, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática.
A programação completa pode ser consultada no link: 3° Congresso Cidades Brasileiras Sustentáveis – Universidade Positivo – Programação 2026
É possível a participação como ouvinte, com emissão de certificado, mediante inscrição, com acesso à programação de palestras, mesas e demais atividades, pelo formulário.
Panorama que orienta a proposta do congresso
Segundo dados da Adapta Brasil, 2.807 dos 5.570 municípios brasileiros já estão em situação de alta ou muita vulnerabilidade climática. Entre 1991 e 2022, 89% das cidades registraram algum tipo de desastre natural, com perdas econômicas que somam R$ 132 bilhões, apenas nesta década. Os dados são do relatório Cidades Verdes-Azuis Resilientes, lançado pelo Centro de Síntese em Mudanças Ambientais e Climáticas (Simaclim/MCTI).
O Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR 2025), divulgado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em outubro de 2025, mostra uma inflexão positiva em dez anos, de 46,7 para 49,9 pontos em uma escala de 0 a 100. Ainda assim, nenhuma cidade brasileira atingiu o nível “muito alto”, e a desigualdade territorial entre Norte/Nordeste e Sul/Sudeste permanece expressiva.
No plano institucional, o quadro é igualmente preocupante: até 2025, apenas 13 capitais brasileiras tinham Planos de Ação Climática, e somente 36,9% dos municípios possuíam planos municipais de habitação, segundo o Urban Adaptation Index (UAI), desenvolvido por pesquisadores da USP.
Serviço:
3º Congresso Cidades Brasileiras Sustentáveis
Quando: 27, 28 e 29 de maio
Local: prédio da pós-graduação no campus Ecoville da Universidade Positivo.
Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300.
Como participar: faça sua inscrição pelo formulário