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18 de agosto de 2026
Por que o risco de infarto aumenta nos dias mais frios de agosto? Cardiologista explica os impactos das baixas temperaturas no coração
Estudo do organismo para conservar calor, mudanças na rotina e menor ingestão de água são fatores que elevam a pressão arterial
Com a chegada das baixas temperaturas e as frentes frias características do mês de agosto, a atenção com a saúde do coração precisa ser redobrada. O que muitos não sabem é que o frio não traz apenas o desconforto térmico, mas provoca alterações fisiológicas diretas no sistema cardiovascular, aumentando significativamente os riscos de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
O Prof. Dr. Ciro Camarota, cardiologista e docente do curso de Medicina da Unifran (Universidade de Franca), explica que o corpo humano adota mecanismos de defesa automáticos para enfrentar a queda de temperatura.
“Quando a temperatura cai, o organismo tenta conservar calor para proteger os órgãos vitais centrais. Para que isso aconteça, ocorre um processo chamado vasoconstrição periférica, no qual as artérias e vasos sanguíneos da pele e das extremidades se contraem”, detalha o especialista. “Como consequência, a pressão arterial tende a subir mais no inverno do que no verão, um efeito ainda mais pronunciado em pessoas idosas ou que já possuem diagnóstico de hipertensão.”
O impacto dos hábitos no inverno
Além da resposta biológica ao frio, as mudanças na rotina durante os dias gelados atuam como agravantes para a saúde do coração. Entre os principais vilões do período estão:
- Sede mascarada: Há uma redução natural na ingestão de água, o que pode levar à desidratação, um fator crítico especialmente em idosos.
- Sedentarismo aquecido: As baixas temperaturas desestimulam a prática de exercícios físicos, favorecendo o ganho de peso e o descontrole da glicemia, da pressão e do colesterol.
- Alimentação pesada: O consumo de refeições mais calóricas e gordurosas torna-se mais frequente, sobrecarregando o metabolismo.
Grupos de maior vulnerabilidade
De acordo com o Dr. Ciro Camarota, pessoas com condições pré-existentes ou hábitos de vida específicos devem dobrar os cuidados nas épocas frias. O grupo de risco é composto por:
- Pessoas com hipertensão arterial, diabetes ou colesterol elevado;
- Indivíduos com histórico de infarto, insuficiência cardíaca, angina ou AVC;
- Idosos (especialmente acima de 65 anos);
- Pessoas com obesidade ou sedentarismo;
- Tabagistas e ex-tabagistas.
Como proteger o coração durante os dias frios
Para atravessar o período com segurança, o docente da Unifran destaca que a prevenção passa por manter os cuidados básicos de saúde e adaptar a rotina de exercícios físicos sem abandoná-los.
A recomendação geral da Organização Mundial da Saúde de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física aeróbica moderada continua valendo. Para quem pratica exercícios ao ar livre no frio, o cardiologista recomenda:
- Aqueça-se bem antes de começar: faça um aquecimento mais prolongado e progressivo, iniciando devagar e aumentando a intensidade gradualmente.
- Vista-se em camadas: utilize roupas sobrepostas para poder retirar peças à medida que o corpo aquecer, garantindo proteção para cabeça, mãos, pescoço e pés.
- Mantenha a hidratação: beba água mesmo sem sentir sede antes, durante e após a atividade.
- Opte por ambientes fechados: em dias de frio extremo, vento forte ou garoa, prefira atividades indoor.
- Atenção aos medicamentos e alimentação: não interrompa o uso de remédios de uso contínuo para pressão, diabetes ou colesterol e mantenha um prato colorido com frutas, verduras e proteínas adequadas.
“A regra de ouro para o inverno é evitar a imobilidade e a exposição direta e brusca ao frio. Proteger as extremidades do corpo, alimentar-se bem e continuar se movimentando são os melhores remédios para garantir a saúde do coração durante toda a estação”, finaliza o Prof. Dr. Ciro Camarota.