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19 de maio de 2026

Possível flexibilização da escala 6×1 exige reorganização das empresas e fortalece papel estratégico do RH

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Especialista analisa os desafios operacionais e os impactos na saúde mental

Mudanças em modelos tradicionais de jornada de trabalho, como a escala 6×1, vêm ampliando debates sobre saúde mental, qualidade de vida e sustentabilidade das relações de trabalho. Para especialistas, uma eventual flexibilização desse formato pode acelerar transformações importantes na gestão de pessoas e exigir das empresas novas estratégias operacionais e culturais.

Segundo a docente do curso de Recursos Humanos do Centro Universitário Braz Cubas, Liliane Almeida o setor precisará assumir um papel central nesse processo de adaptação. “O primeiro passo é mapear quais áreas possuem maior dependência operacional da escala 6×1, quais funções já operam no limite da capacidade e quais setores enfrentarão mais dificuldades de adaptação”, explica.

A reorganização das equipes pode envolver a revisão de escalas, a redistribuição de tarefas e até a ampliação do quadro de funcionários, gerando impactos diretos nos custos operacionais. Os desafios tendem a ser ainda maiores em setores essenciais, como saúde, segurança, logística, transporte, hotelaria, alimentação, indústria e varejo, que dependem de cobertura integral e da manutenção da produtividade em horários críticos.

Além das questões operacionais, a docente chama atenção para os impactos humanos relacionados às jornadas extensas. Segundo ela, a discussão envolve diretamente saúde mental, engajamento e retenção de talentos. “Do ponto de vista humano, uma eventual flexibilização da escala 6×1 pode gerar impactos extremamente positivos na saúde mental, no engajamento e na retenção de talentos. Jornadas excessivas aumentam o desgaste emocional, o absenteísmo, os afastamentos médicos e o turnover”, pontua.

A especialista observa, ainda, que as novas gerações têm priorizado o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o que influencia diretamente as estratégias das empresas. Nesse cenário, organizações que conseguem oferecer modelos de trabalho mais saudáveis tendem a fortalecer o employer branding, além de ampliar a retenção e a atração de talentos.

Para manter a eficiência operacional sem comprometer o bem-estar dos trabalhadores, as organizações precisarão investir em gestão baseada em dados, automação e modelos de trabalho mais flexíveis. Entre as estratégias recomendadas estão a adoção de escalas híbridas, a flexibilização de horários, o uso inteligente do banco de horas, o fortalecimento de programas de saúde mental e a aplicação de people analytics na tomada de decisão.

“O RH deve conduzir esse processo com comunicação transparente, escuta ativa e alinhamento constante entre liderança e colaboradores. Não basta apenas comunicar a mudança. É necessário construir diálogo, reduzir ruídos e preparar gestores para lidar com resistência, ansiedade e impacto operacional durante a adaptação”, destaca.

O debate sobre a flexibilização da escala 6×1 também aponta para uma transformação mais ampla nas relações de trabalho, com empresas cada vez mais pressionadas a buscar modelos que conciliem produtividade, sustentabilidade operacional e qualidade de vida. Nesse cenário, o RH tende a assumir papel estratégico na construção de ambientes corporativos mais flexíveis, eficientes e alinhados às novas expectativas dos trabalhadores, sem deixar de considerar os impactos financeiros e operacionais que mudanças desse porte podem gerar em diferentes setores.

Existe um movimento e uma expectativa no mercado para que o RH oriente líderes no desenvolvimento de colaboradores capazes de antecipar cenários, identificar alternativas e tomar decisões de forma mais ágil e estratégica. Ao mesmo tempo, as empresas precisarão acompanhar as transformações do mercado de trabalho e buscar profissionais cada vez mais preparados para modelos organizacionais mais flexíveis, dinâmicos e orientados à eficiência.

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