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29 de abril de 2026
Praias de Caraguatatuba apresentam contaminação por parasitas na areia, aponta estudo
Pesquisa identifica presença de helmintos com potencial zoonótico em áreas frequentadas por moradores e turistas e acende alerta para saúde pública
Um estudo conduzido por pesquisadores do Centro Universitário Módulo, em Caraguatatuba (SP), identificou a presença de parasitas na areia das praias Indaiá e Martin de Sá, duas das mais frequentadas do litoral norte paulista. A pesquisa, publicada na Revista Sociedade Científica (vol. 9, 2026), detectou contaminação por helmintos com potencial zoonótico em 40% das amostras coletadas na Praia do Indaiá e em 24% na Martin de Sá, indicando um possível risco à saúde de banhistas.
Ao todo, foram analisadas 50 amostras de areia coletadas entre abril e outubro de 2024. Os resultados apontaram a presença de três espécies de parasitas: Ancylostoma spp., Strongyloides stercoralis e Ascaris lumbricoides. O primeiro, mais prevalente, é responsável pela larva migrans cutânea, conhecida como “bicho-geográfico”, enquanto os demais estão associados a infecções intestinais. “A presença desses helmintos nas praias representa um problema potencial de saúde pública, especialmente considerando a frequência de uso desses espaços por moradores e turistas”, afirma a professora Karolina Dória, docente dos cursos de Ciências Biológicas e Biomedicina e coautora do estudo.
A análise laboratorial foi realizada com base no método de Rugai adaptado para solo arenoso, técnica consolidada para detecção de ovos e larvas de parasitas. A identificação das espécies seguiu critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo os pesquisadores, os dados evidenciam que a areia — frequentemente associada apenas ao lazer — pode atuar como reservatório de agentes infecciosos.
A pesquisa também aponta fatores ambientais e comportamentais que favorecem a contaminação, com destaque para a presença de cães nas praias, mesmo em locais onde a circulação de animais é proibida. Esses animais podem eliminar ovos e larvas de helmintos nas fezes, contaminando o solo. “A ausência de fiscalização efetiva e de programas de controle contribui diretamente para esse cenário, ampliando o risco de exposição da população”, explica Karolina.
Condições climáticas típicas da região, como altas temperaturas e elevada umidade, também favorecem a sobrevivência e o desenvolvimento das formas infectantes no ambiente. Estudos realizados em outras regiões do Brasil e da América Latina indicam que a contaminação de praias por parasitas não é um problema isolado, reforçando o caráter de saúde pública da questão.
Os autores destacam que os resultados podem subsidiar ações de prevenção e controle, como campanhas educativas, reforço na fiscalização e monitoramento periódico da qualidade sanitária das areias. “O estudo contribui para dar visibilidade a um risco muitas vezes invisível, mas com impacto direto na saúde coletiva”, conclui a pesquisadora.