MicrosoftTeams-image (27)

UNIVERSIDADE POSITIVO

|

Notícias

19 de setembro de 2023

Projeto de alunos da UP ganha Prêmio Extensão Universitária CREA/PR 2023

Compartilhar

Estudantes conquistaram o 1º lugar na modalidade Multidisciplinar com projeto que propõe substituir areia fina no concreto por fibras têxteis tratadas

Alunos dos cursos de Engenharia Civil, Psicologia e Pilotagem de aeronaves, participantes do Programa de Extensão da UP, se inscreveram para o Prêmio Extensão Universitária CREA/PR 2023. O resultado? Conquistaram o 1º lugar na modalidade Multidisciplinar.

Trata-se do projeto “Propostas de gestão de resíduos gerados por uma empresa do segmento de vestuário: adição de poliamida ao concreto para redução de impactos ambientais”, orientado pelo Prof. Hélcio Fabri e desenvolvido por meio da extensão institucional da UP, setor coordenado pela Profa. Patrícia Maggi.

A ideia é utilizar os resíduos gerados pela indústria têxtil no segmento de construção civil como fibras em substituição à areia fina no concreto, reduzindo o impacto da atividade fabril têxtil no meio ambiente.

“Foi muito legal receber o prêmio, porque é uma visibilidade perante o CREA-PR, visibilidade para a própria universidade e para essa questão [dos resíduos têxteis], à qual não se prestava muita atenção”, disse o professor.

Maira Rita Nardelli, aluna do curso de Engenharia Civil, disse que trabalhar com equipe multidisciplinar foi muito enriquecedor, uma oportunidade única: “Pudemos debater de forma aberta com visão compartilhada e vários enfoques, e estimo que isso contribuiu muito para a realização de um bom trabalho”, declarou.

Participaram do projeto: Ágata Ketilyn Marques Bee e Juliana Mazur Manchur Prates (Psicologia); João Adonias da Silva Carneiro e Maira Rita Nardelli (Engenharia Civil); Lucas Rafael Maciel Bueno, Renan Luiz Fragoso, Vitor Plácido e William Emanuel Jacinski (Pilotagem de aeronaves). Luis Felipe e Olívia, do curso de Jornalismo, deram aquela força nas fotos da cerimônia.

Mapeamento

O Prof. Hélcio disse que o projeto já se encontra na fase de confecção dos corpos de prova e, em uma segunda etapa, serão feitos os testes, mas já fora do escopo da extensão.

Seu contato com a indústria do vestuário, em Curitiba, propiciou a parceria com uma empresa no fornecimento do material de trabalho na pesquisa.

Segundo ele, a maioria das empresas não faz a destinação adequada dos resíduos têxteis, que são descartados na rua e vão para o aterro sanitário, o que pode provocar impactos negativos ambientais.

A relevância do projeto estaria justamente no fato de que, embora Curitiba detenha o título de cidade ecológica, não é discutida a questão da destinação do material têxtil, em boa parte, de origem sintética, portanto, proveniente de petróleo, cujos filamentos sintéticos, plásticos, podem acabar indo para o esgoto ou recursos hídricos.

“O que rege nosso projeto é a Política Nacional de Resíduos Sólidos, então não visa à aplicação em uma empresa só, mas para a gestão de resíduos em Curitiba, do ponto de vista, inclusive, de políticas públicas”, explicou.

Problema visível

Segundo o apurado pelo projeto, mais de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartados por ano pela indústria têxtil e de vestuário no Brasil, conforme dados divulgados em 2022 pela ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

A aluna Maira faz o alerta: “A maioria das pessoas não reflete: onde vai parar o descarte de roupas e peças de vestuário que cada um de nós troca, doa ou simplesmente some das nossas vistas? A realidade é surpreendentemente negativa, pois nosso lixo vai parar em aterros e até em lugares que gostaríamos de visitar como turistas um dia, como é o caso do Deserto do Atacama”.

Por ser descartado nos aterros sanitários, diz Maira, o lixo têxtil acelera o esgotamento e passa a ser um problema para os governos, mesmo que seja incinerado, prática que também é poluente. “O lixo têxtil não recebe nenhum tratamento para ser explorado em seu potencial como material reciclável para recirculação na economia”, afirma.

Solução

No caso em estudo, a equipe multidisciplinar discutiu os impactos ambientais provocados pelos segmentos de moda têxtil e de vestuário, identificou e caracterizou os resíduos têxteis produzidos pelas empresas parceiras do projeto e avaliou alternativas de gestão e destinação desses resíduos dentro do escopo da Política Nacional de Resíduos Sólidos, orientando quanto às possibilidades encontradas.

Chegou-se à proposta de ampliar o ciclo de vida desses materiais, fragmentando-os e aplicando-os no segmento da construção civil, ao concreto, como fibras, em substituição à areia fina, um recurso natural finito e cada vez mais escasso.

Segundo consta, vários tipos de fibras, como polipropileno, aço, vidro, nylon, poliéster, carbono, celulose, amianto, sisal e fibras vegetais, já são atualmente utilizados praticamente em qualquer tipo de concreto, para atender a finalidades diferentes.

A adição funcionaria como um reforço para melhorar uma característica que o concreto já apresenta ou para alterar uma propriedade, por exemplo, reduzir o efeito de retração.

Poliamida

Os pesquisadores justificaram que a poliamida, pela característica de alta resistência dos filamentos, pode se tornar atrativa como adição ao concreto e gerar um novo compósito.

A contribuição do estudo concorreria para reduzir o impacto da atividade da indústria têxtil no meio ambiente, reposicionando as empresas em uma cadeia de produção mais sustentável com economia circular.

“Temos muito campo para gerar novos empreendimentos e emprego com relação à sustentabilidade, que deve ser fomentado para além de gerar empregos, reduzir o impacto ambiental que todos nós geramos, pois queremos deixar sim um mundo melhor e tudo tem início com a conscientização”, finalizou Maira.

Ultimas Publicações


Compartilhar

Copiar Link

O link foi copiado para a área de trasferência.
Agora é só colar onde quiser.