CRUZEIRO DO SUL
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4 de novembro de 2019
No dia 29 de agosto de 2019 foi realizado o 4th Prof. Eric A. Newsholme Research Symposium-Immunometabolism, no Merton College, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. A Universidade Cruzeiro do Sul foi representada pela presença do Prof. Dr. Rui Curi, do Programa Interdisciplinar em Ciências da Saúde, e da Profa. Dra. Tania Cristina Pithon-Curi, pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa. A participação dos docentes no simpósio teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (FAPESP).
O Simpósio teve como objetivo resgatar a memória e o legado de pesquisa e descobertas do Prof. Eric A. Newsholme, grande cientista, que nasceu no dia 19 de maio de 1935 em Liverpool e faleceu em 17 março de 2011. Ele fez descobertas de extrema importância para a comunidade cientifica da área de metabolismo, que norteiam pesquisas de vários cientistas ao redor do mundo.
Além disso, fez inúmeras contribuições científicas em pelo menos três importantes áreas: mecanismos de regulação metabólica, alterações metabólicas em resposta ao exercício físico e metabolismo e função dos leucócitos (esta área agora é chamada de imunometabolismo). Também publicou 346 artigos e escreveu três livros didáticos utilizados por estudantes de todo o mundo: Keep on Running: The Science of Training and Performance, Biochemistry for the Medical Sciences e The Regulation of Metabolism.
Os professores Tania e Rui também apresentaram três trabalhos na forma de painéis. São estudos realizados nos laboratórios do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências da Saúde, com fomento da FAPESP, CAPES e CNPq. “Foi muito importante discutir os achados do nosso grupo com pesquisadores do exterior. As nossas descobertas foram muito apreciadas pelos participantes do evento ” relata Rui.
Pioneiros em estudos com a glutamina
Eric A. Newsholme, Philip Newsholme, Tania Cristina Pithon-Curi e Rui Curi pesquisam sobre a relação da glutamina com o conteúdo de proteínas do músculo. Segundo o professor Rui, a glutamina é o aminoácido mais abundante na corrente sanguínea. Ela é usada por várias células do organismo e também pelos leucócitos.
Entretanto, a glutamina que ingerimos na dieta é predominantemente metabolizada no intestino delgado. Resta então a questão: de onde vem a glutamina que está na corrente sanguínea? Ela vem do músculo esquelético. A degradação de proteínas no músculo esquelético gera glutamina, que é transferida à corrente sanguínea, afirma o professor. Esta é a principal fonte da glutamina presente no sangue.
Os pesquisadores investigaram se a concentração de glutamina do músculo pode regular a degradação da proteína deste. O propósito do estudo é o de relacionar a concentração intracelular de glutamina com o conteúdo total de proteínas do músculo esquelético. Os professores verificaram ainda que a redução da concentração de glutamina no músculo favorece a quebra de proteínas, e quando se aumenta a concentração de glutamina livre na célula, a quebra de proteínas é reduzida.
Estes resultados experimentais são indicativos de que a glutamina preserva a proteína muscular e não a deixa degradar. Quando a concentração de glutamina cai, ocorre proteólise (processo de degradação das proteínas).
Organização de eventos em Oxford
Rui Curi também esteve presente nos bastidores do simpósio, trabalhando ao lado do Prof. Philip Newsholme na organização do 4th Prof. Eric A. Newsholme Research Symposium-Immunometabolism. Ele comenta que organizar um evento pode até ser uma tarefa trabalhosa mas é extremamente gratificante, pois além de levar o nome da Universidade para outros lugares do mundo, se estabelecem parcerias com professores do exterior, e criam-se vínculos de trabalho e amizade
Os vínculos criados ao longo dos anos tornaram possível a realização do evento com êxito. O simpósio reuniu pesquisadores de vários países com o propósito de celebrar a vida e a contribuição científica de Eric. Newsholme, que soam como um legado para pesquisadores, estudantes e para a sociedade.