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19 de abril de 2022
Rita Ramalho, professora do curso de Psicologia do Unipê, diz ser preciso tentar focar nos benefícios do retorno presencial
Após dois anos de isolamento social devido a pandemia da Covid-19, a volta às atividades presenciais está sendo uma realidade graças aos avanços científicos em relação as vacinas. Porém, com muito tempo de afastamento social, o retorno ao trabalho pode ser uma dificuldade para muitos. Diante disso, a professora Rita Ramalho, do curso de Psicologia do Centro Universitário de João Pessoa – Unipê, direciona o melhor caminho para se readequar à esta realidade.
Segundo a psicóloga, é fundamental dedicar um tempo para o replanejamento da rotina e a ressignificação da mudança. Isso envolve questões de ordem prática, como os hábitos diários, sair de casa mais cedo, pegar trânsito, transporte e alimentação, e de preparo emocional, sobretudo para quem tem filhos e passou os últimos anos mais presente, acompanhando essa rotina, e que agora com o distanciamento da família irá interferir em diversos sentidos.
Durante esse processo é válido lembrar que os cuidados contra o vírus da Covid-19 devem permanecer, mesmo com uma margem de segurança após as vacinas, que possibilita voltar com tranquilidade ao trabalho. “Nós somos seres sociais e faz bem para a saúde mental das pessoas a interação com os amigos, com colegas de trabalho, superiores e clientes. Essa relação cara a cara é muito importante para dar sentido à nossa vida e ao nosso cotidiano, então planejar e reprogramar esse retorno do ponto de vista prático e emocional é um bom começo”, completa Rita Ramalho.
Para as pessoas que ainda não se sentem completamente preparadas, a profissional diz que uma boa saída seria conversar com seus superiores sobre essa mudança. E aconselha também a psicoterapia como uma alternativa, que pode dar um suporte para a encontrar saídas saudáveis e ressignificar a transição.
“Existem superiores que têm um modelo de gestão com uma postura humanizada de acolhimento às equipes, então nesse sentido é válido conversar, até para que eles possam compreender algumas dificuldades que você enfrenta. Nos casos em que não existe essa abertura com os gestores, talvez uma boa saída seja conversar com quem você se sente à vontade e ir trabalhando essas inseguranças. Porque se você tenta ter esse tipo de conversa com seu superior que não dá abertura, poderá gerar mais um problema nesse retorno.”
Em todos os casos, um ótimo exercício mental é não focar nos aspectos negativos e questões que foram consideradas benefícios do trabalho remoto, mas encarar como uma nova transformação, lembrando dos benefícios que o trabalho proporciona.
“Essa é mais uma mudança como as que enfrentamos todos os dias. É necessário encarar isso com naturalidade, assim como estamos o tempo inteiro realizando desejos e nos frustrando com outros. Nem tudo é como gostaríamos que fosse e normalmente temos uma habilidade excelente de lidar com as mudanças e frustações, essa é uma característica do ser humano. O primeiro passo é tentar ver os pontos positivos desse retorno. Você não ter mais o trabalho dentro de casa invadindo a sua privacidade, ter a sua hora de trabalhar e a hora de descansar, coisa que no trabalho remoto costuma ficar meio confuso. As pessoas devem acreditar que é possível se ajustar à mudança e entender que resistir só vai piorar a situação, além disso buscar ser resiliente é se dispor a ficar bem”, finaliza a professora Rita Ramalho.