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3 de outubro de 2018

Relações amorosas com psicopatas são debatidas por Mercês Muribeca

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Um debate profícuo sobre as relações amorosas de pessoas psicopatas. Na última sexta-feira (28), a professora Mercês Muribeca difundiu a discussão para profissionais e estudantes na palestra “Relações Amorosas: Entre o Psicopata e sua Complementária”, realizada no Auditório Tarcísio Burity. Mercês se disse satisfeita com o evento por poder levar a temática e esclarecer questões sobre a psicopatia, ajudando na tomada de consciência das pessoas.

Segundo Mercês, que é psicanalista e professora do curso de Psicologia do Unipê, a proposta do evento foi tentar entender as relações amorosas de psicopatas integrados ou subclínicos com suas parceiras, denominadas de complementárias.

“Isso porque o psicopata possui três formas de se relacionar com o outro, que são: o modo associativo, de um psicopata com outro psicopata, quando ambos se necessitam por possuírem talentos distintos e indispensáveis para lograr um determinado fim; o modo tangencial, do psicopata com uma vítima ocasional, que é quando existe coerção e prática de ações delitivas; e o modo complementário, do psicopata com o seu ou a sua complementária, e nesta relação os dois participam ativamente para manter o vínculo”, apresentou Mercês.

Foto: professora e psicanalista Mercês Muribeca em palestra.

“Ou seja, o psicopata vê a complementária como alguém que vem para preencher seus ‘buracos negros’”, explicou. “Ela ilumina sua escuridão com emoções morais que ele não possui, por isso ele suga sua energia. Ela passa a ser um acessório que serve para aperfeiçoá-lo. Em suma, ele é um parasita que vive através da força da complementaria”, continuou a professora.

Segundo Mercês, a complementária, por sua vez, enxerga o psicopata como um ser especial que preenche os “seus vazios”. “Ele ativa certas zonas escuras que ela desconhecia possuir. A complementária se torna uma espécie de codependente do psicopata. Nessa relação tóxica, ela tenta resgatar, cuidar e corrigir os erros do psicopata. No entanto, ao desejar salvar a alma do companheiro das trevas, termina por precipitar a sua própria vida no caos do abismo em que se encontra”, contou Mercês. “Nesse sentido, ela é vista para além de ser uma simples vítima da manipulação, da sedução, da persuasão e dos encantos superficiais do psicopata. Ela se torna uma pessoa ativa na manutenção dessa relação”, concluiu a professora.

Gênero, sexo e psicopatia

De acordo com a professora Mercês, a psicopatia vai para além das categorias de gênero e de sexo. “Na palestra, eu escolhi trabalhar a questão do psicopata masculino com suas complementárias femininas, devido ao fato de que existem mais psicopatas homens que mulheres catalogados pelos pesquisadores da área. E, embora haja mulheres psicopatas vampirizando e destruindo homens em suas relações de casais, o acervo de livros e casos atendidos por mim no consultório são de mulheres devastadas, exaustas, consumidas, vazias, apáticas e depressivas”, relatou a psicanalista.

Mercês acredita que todas as pessoas devem conhecer melhor o passado das pessoas com as quais elas se relacionam. “Por quê? Porque o passado do psicopata é o seu futuro. Se olharmos para as suas antigas relações, vamos ver que existe um padrão e essa forma de atuar não muda. O retrato não muda; ele apenas parece diferente para nós em sua nova moldura, porque nos enganar é sua maior arte”, garante a psicanalista.

A docente explicou que os seres humanos não psicopatas não tendem a se relacionar com a mesma rapidez e a mesma intensidade que os psicopatas. “Em geral, as pessoas vão mais gradativamente nas relações, e eles, os psicopatas, vão numa velocidade muito grande: com um mês já estão casados ou morando com o alvo de sua conquista amorosa”, exemplificou. “As pessoas precisam entender um pouco o que é o psicopata integrado”, reforçou.

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Psicopatia ou Transtorno de Personalidade Antissocial?

Mercês Muribeca também enfatizou a questão das diferenças conceituais que tratam sobre o que é psicopatia ou TPAs (Transtorno de Personalidade Antissocial). A professora considerou que existe uma tendência a acreditar que pessoas psicopatas são assassinas em série, matadoras impulsivas ou que de alguma forma estão voltadas à criminalidade. “Que são os delinquentes que vivem imersos no mundo marginal, e não é só isso, não”, garantiu.

“Fazemos muita confusão com transtorno de personalidade antissocial e com a psicopatia. Enquanto o transtorno de personalidade antissocial é um diagnóstico psiquiátrico, uma parte da classificação psiquiátrica, o psicopata é um diagnóstico clínico, por meio de uma investigação clínica, a exemplo das contribuições de Cleckley em seu livro ‘A máscara da sanidade’, de 1941”, contou.

“Então, o que percebemos hoje é que temos entre 1% e 2% de psicopatas em geral na humanidade. Mas, temos uma faixa de 10% a 20% de psicopatas integrados ou subclínicos, que são essas pessoas de colarinho branco, que estão na política, que estão nas grandes empresas, que são médicos, que são juízes, e essas pessoas são casadas, têm filhos, estão na sociedade conosco”, informou a professora.

 

Disseminação do conhecimento

A professora Mercês Muribeca disse que a oportunidade desenvolver a temática neste evento dentro da Instituição é uma forma contribuir para a formação e a disseminação de informação.

“O Unipê é pioneiro na promoção desses eventos em forma de palestras, minicursos, etc. Penso que a nossa Instituição se preocupa não só com a transmissão do saber, mas com a formação de nossos alunos, para além da grade curricular, incentivando-os a sair daqui ainda mais qualificados”, salientou.

“Nós temos que fazer com que os nossos alunos não visem apenas lograr um diploma ao final do curso, mas almejem adquirir sempre novos conhecimentos. Então, acho que isso é o que o Unipê faz de melhor: estimular e incentivar o corpo discente ao estudo e a pesquisa.”

Vestibular Unipê

O Unipê está com as inscrições abertas para o Vestibular e os cursos disponíveis nesta seleção contemplam as áreas da saúde, tecnologia, humanas e de negócios. A inscrição pode ser realizada por meio do portal unipe.edu.br. Confira também os financiamentos, bolsas e descontos ofertados pela Instituição em unipe.edu.br/financiamentos. Em caso de dúvidas, os candidatos podem ainda ligar para a Central de Relacionamento do Unipê: 0800-707-9210.

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