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6 de janeiro de 2026
Retrospectiva 2025: especialista do Cesuca aponta cinco lições que todo brasileiro deve levar para 2026
Filipe Martins, mestre em Controladoria e Contabilidade, analisa o impacto da Selic, do endividamento das famílias e da volatilidade cambial
À medida que 2025 se encerra, fica claro que o ano foi um teste de resistência para a saúde financeira das famílias brasileiras. Em entrevista, o professor Filipe Martins, docente do curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Cesuca e mestre em Controladoria e Contabilidade, faz uma avaliação crítica do cenário econômico e reúne aprendizados práticos para quem quer começar 2026 com mais segurança.
Segundo Martins, 2025 foi marcado por um esforço de estabilização, com a taxa Selic em patamares elevados por boa parte do ano — um fator que restringiu crédito, reduziu o consumo e influenciou escolhas de investimento. Paralelamente, o endividamento das famílias permaneceu em níveis preocupantes, limitando a capacidade de compra e tornando os orçamentos domésticos mais vulneráveis.
Outro elemento que surpreendeu consumidores e empresas foi a volatilidade cambial, que impactou preços de produtos importados, contratos indexados ao dólar e planos de viagem. “Variações repentinas no câmbio alteram decisões pessoais e empresariais com rapidez — exigem acompanhamento constante e estratégias de proteção”, alerta Martins.
Erros recorrentes e ‘alerta vermelho’ para 2026 – O professor identifica erros frequentes que enfraqueceram as finanças pessoais em 2025: não constituir reserva de emergência, usar crédito rotativo como extensão do salário e parcelamentos longos sem planejamento. Ele aponta ainda um comportamento alarmante para 2026: a naturalização do endividamento para cobrir despesas recorrentes, que reduz a flexibilidade financeira e aumenta a vulnerabilidade a choques econômicos.
Hábitos que protegem em tempos de incerteza – Diante do cenário, Martins recomenda práticas simples e consistentes:
- Montar e acompanhar um diagnóstico financeiro — saber exatamente quanto se ganha, gasta e deve;
- Formar reserva de emergência antes de assumir riscos maiores;
- Comparar taxas e evitar crédito caro (rotativo, cheque especial e parcelamentos com juros altos);
- Diversificar investimentos de forma gradual e com compreensão dos riscos;
- Desenvolver senso crítico diante de conteúdo financeiro de baixa qualidade disseminado por redes e influenciadores.
O aprendizado – “A principal lição de 2025 é que previsões nunca são absolutas, mas disciplina financeira e educação econômica são ferramentas concretas para atravessar ciclos”, resume Filipe Martins. Em sua visão, o ano mostrou que a maturidade financeira passa por decisões cotidianas constantes — mais do que por ações pontuais e acreditar que existem “soluções financeiras milagrosas”.