CRUZEIRO DO SUL
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21 de janeiro de 2026
Saúde mental dos estudantes: como lidar com a pressão do fim dos vestibulares e evitar o burnout
Especialista alerta para sinais de esgotamento e dá orientações de autocuidado para atravessar o período pós-provas com equilíbrio emocional
Com o encerramento do Enem e a reta final dos principais vestibulares do país, muitos estudantes entram em um novo tipo de tensão: o acúmulo de meses de preparação, a expectativa pelos resultados e o esgotamento emocional após longas jornadas de estudo. Essa fase pós-provas, marcada por altos níveis de ansiedade, incerteza e sensação de “vazio”, pode ser tão desafiadora quanto o próprio período de preparação.
Uma pesquisa do Instituto Educbank de Educação e Cultura, em parceria com o Great Place to Study (GPTS), que ouviu 18 mil alunos e professores, indicou que sentimentos como cansaço e ansiedade predominam entre jovens estudantes. 64% dos alunos afirmaram se sentir sobrecarregados e cansados em níveis prejudiciais à saúde mental. O dado reforça o que especialistas têm observado: o adoecimento emocional se tornou cada vez mais comum entre jovens em fase pré-universitária e tende a se intensificar no final do ciclo de provas.
O psicólogo Alisson Guiotto, docente do curso de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul, explica que os sinais de alerta aparecem tanto no corpo quanto na mente. “O limite aparece de forma física e mental. Fadiga constante, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapses de memória e queda no rendimento são indicativos de que o cansaço deixou de ser produtivo. Quando o estudante perde o prazer por atividades que antes gostava ou sente que nada é suficiente para se sentir bem, é hora de parar e buscar equilíbrio”, afirma.
Segundo o professor, a pressão pré-vestibular se acumulou e ganhou novas camadas, que permanecem no período pós-prova. “As redes sociais intensificam comparações e inseguranças, enquanto o pós-pandemia deixou lacunas no aprendizado e uma sensação de estar sempre correndo atrás do prejuízo. No fim dos vestibulares, tudo isso se soma à expectativa pelos resultados, criando um ambiente de constante autocrítica e ansiedade”, explica Guiotto.
Equilíbrio e pausas como aliados da mente
O período após as provas é ideal para reconstruir uma rotina mais saudável, destaca o docente. “Disciplina não é sinônimo de exaustão, e sim de constância e autocuidado. É importante restabelecer horários regulares de sono e reservar tempo para atividades leves, como caminhar, ver um filme ou estar com amigos. O cérebro precisa de descanso para reorganizar emoções e consolidar experiências”, diz.
Dormir bem melhora a memória e o raciocínio, enquanto o lazer ajuda a regular as emoções. “Estudar mais horas não significa aprender mais. É o equilíbrio que sustenta o bom desempenho”, reforça. O professor também recomenda práticas simples de respiração e relaxamento para controlar o estresse. “Há comprovação científica de que técnicas como respiração diafragmática e mindfulness reduzem a ativação do sistema de estresse. Reservar de cinco a dez minutos por dia para essas práticas faz diferença.”
Após as provas, muitos estudantes relatam sensação de vazio emocional — algo natural, segundo Guiotto. “Durante meses, corpo e mente ficaram em estado de alerta. Quando a rotina desacelera, o silêncio pode gerar angústia. Esse é um momento de pausa e reflexão, não de cobrança. Reconhecer o esforço e a dedicação, independentemente do resultado, é essencial para encerrar o ciclo de forma saudável.”
Manter hábitos saudáveis, preservar momentos de lazer e pedir ajuda quando necessário são atitudes fundamentais para evitar recaídas de ansiedade ou desânimo. “A ansiedade não desaparece, mas pode ser administrada. O apoio psicológico oferece um espaço seguro para compreender emoções, desenvolver estratégias e fortalecer a autoestima. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, e sim de coragem e responsabilidade com a própria saúde mental”, conclui o professor.