CRUZEIRO DO SUL
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3 de novembro de 2025
Saúde mental dos estudantes: como lidar com a pressão pré e pós-vestibular e evitar o burnout
Especialista da Universidade Cruzeiro do Sul alerta para sinais de esgotamento e dá orientações de autocuidado para enfrentar os vestibulares
Com a proximidade do Enem, no próximo dia 9, e a maratona de vestibulares que se aproxima, cresce também a tensão entre os estudantes que enfrentam longas jornadas de estudo, altas expectativas familiares e comparações nas redes sociais. O resultado, muitas vezes, é o esgotamento emocional.
Uma pesquisa do Instituto Educbank de Educação e Cultura, em parceria com o Great Place to Study (GPTS), que ouviu 18 mil alunos e professores, indicou que sentimentos como cansaço e ansiedade predominam entre jovens estudantes. 64% dos alunos afirmaram se sentir sobrecarregados e cansados em níveis prejudiciais à saúde mental. Esse dado corrobora o que especialistas têm observado: o adoecimento emocional vem se tornando cada vez mais comum entre jovens em fase pré-universitária.
O psicólogo Alisson Guiotto, docente do curso de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul, explica que os sinais de alerta aparecem tanto no corpo quanto na mente. “O limite aparece de forma física e mental. Fadiga constante, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória e queda no rendimento são indicativos de que o cansaço deixou de ser produtivo. Quando o estudante perde o prazer por atividades que antes gostava ou sente que nada é suficiente para se sentir bem, é hora de parar e buscar equilíbrio”, afirma.
Segundo o professor, a pressão pré-vestibular aumentou nos últimos anos. As redes sociais intensificaram as comparações e a cobrança por desempenho, enquanto o pós-pandemia deixou lacunas no aprendizado e uma sensação de estar sempre correndo atrás do prejuízo. “Isso cria um ambiente de constante autocrítica e ansiedade”, explica Guiotto.
Equilíbrio e pausas como aliados da mente
Para reduzir a ansiedade e o estresse, o docente recomenda rotinas equilibradas e realistas, que incluam pausas programadas e momentos de lazer. “Disciplina não é sinônimo de exaustão, e sim de constância e autocuidado. É importante manter horários regulares de sono e reservar tempo para atividades leves, como caminhar, ver um filme ou estar com amigos. O cérebro precisa de descanso para consolidar o aprendizado”, destaca.
Dormir bem melhora a memória e o raciocínio, enquanto o lazer ajuda a regular as emoções. “Estudar mais horas não significa aprender mais. É o equilíbrio que sustenta o bom desempenho”, reforça. O professor também recomenda práticas simples de respiração e relaxamento para controlar o estresse. “Há comprovação científica de que técnicas como respiração diafragmática e mindfulness reduzem a ativação do sistema de estresse. Reservar de cinco a dez minutos por dia para essas práticas faz diferença.”
Após as provas, muitos estudantes sentem um vazio emocional — e isso é natural, explica Guiotto. “Durante meses, corpo e mente ficaram em estado de alerta. Quando a rotina desacelera, o silêncio pode gerar angústia. Esse é um momento de pausa e reflexão, não de cobrança. Reconhecer o esforço e a dedicação, independentemente do resultado, é essencial para encerrar o ciclo de forma saudável.” Manter hábitos saudáveis, preservar momentos de lazer e pedir ajuda quando necessário são atitudes fundamentais para prevenir recaídas de ansiedade ou desânimo. “A ansiedade não desaparece, mas pode ser administrada. O apoio psicológico oferece um espaço seguro para compreender emoções, desenvolver estratégias e fortalecer a autoestima. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, e sim de coragem e responsabilidade com a própria saúde mental”, conclui o professor.