CRUZEIRO DO SUL

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11 de setembro de 2025

Setembro Amarelo: cães de suporte emocional são aliados no cuidado com a saúde mental

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Professor da Universidade Cruzeiro do Sul explica como esses animais atuam no apoio terapêutico, em quais casos são indicados e quais cuidados devem s

No Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa tira a própria vida, segundo a Organização Mundial da Saúde. É por isso que o Setembro Amarelo, campanha de prevenção iniciada em 2015, se tornou um movimento indispensável para ampliar o debate sobre saúde mental. Além de tratamentos médicos e acompanhamento psicológico, novas formas de apoio vêm ganhando espaço.

Entre elas, destacam-se os cães de suporte emocional, recomendados por profissionais de saúde para oferecer conforto e estabilidade a pessoas em sofrimento psíquico, como em casos de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e outras condições que fragilizam o equilíbrio emocional.

Segundo o professor Atílio Sersun Calefi, docente de Medicina Veterinária da Universidade Cruzeiro do Sul, é importante diferenciar os cães de suporte emocional dos cães de serviço. Enquanto estes são treinados para executar tarefas específicas, como guiar pessoas com deficiência visual, os de suporte emocional atuam pela presença, funcionando como uma âncora em momentos de crise. “A indicação parte sempre de psicólogos ou psiquiatras, que avaliam a necessidade e emitem um laudo. O papel do veterinário é garantir que o animal tenha temperamento adequado e esteja saudável”, explica.

Calefi destaca que a convivência com animais costuma ser profundamente transformadora. O contato com cães ou gatos oferece companheirismo, reduz a sensação de solidão, ajuda a controlar os níveis de estresse e ansiedade, estimula atividades físicas e promove aceitação incondicional. “O simples ato de acariciar um animal tem efeitos fisiológicos comprovados: reduz o cortisol, ligado ao estresse, e aumenta a ocitocina, hormônio associado ao bem-estar”, detalha o especialista.

 Benefícios e responsabilidades

Calefi destaca também que cães e gatos podem ser usados como animais de suporte emocional, porém oferecem benefícios de formas distintas: enquanto cães incentivam uma rotina mais ativa e social, gatos favorecem ambientes de calma e introspecção. Em ambos os casos, o cuidado diário cria uma rotina estruturada que pode ser decisiva para quem enfrenta sofrimento psíquico. “Ser responsável por uma vida faz a pessoa sair da inércia e redirecionar o olhar para fora de sua dor. Esse senso de propósito, somado ao afeto imediato que o animal oferece, fortalece a autoestima e dá significado ao dia a dia”, afirma.

Mas alertas também precisam ser feitos. A decisão de adotar um pet não pode ser impulsiva. Animais exigem tempo, espaço, recursos financeiros e cuidados constantes. Quando essas condições não são atendidas, a experiência se transforma em frustração, negligência e até maus-tratos. Além disso, relações de dependência excessiva podem trazer prejuízos tanto ao tutor quanto ao animal. “Um cão de suporte emocional deve somar ao tratamento, não substituir o acompanhamento médico e psicológico. O bem-estar do paciente e do pet precisam caminhar juntos”, reforça Calefi.

Para garantir que essa relação seja saudável, o veterinário recomenda que famílias busquem orientação pré-adoção, em que se avaliam estilo de vida, espaço e dinâmica da casa antes de escolher a espécie ou raça. O diálogo entre profissionais de saúde mental e médicos-veterinários, destaca, é essencial para que a estratégia seja de fato benéfica. “Somente um animal equilibrado, saudável e bem cuidado pode contribuir de forma positiva para a saúde emocional de seu tutor”, conclui.

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